O principal benefício apontado na pesquisa foi a maior flexibilidade em processos administrativos, produtivos e organizacionais, citado por 89,8% das empresas. O aumento da eficiência, relacionado a ganhos decorrentes de redução de custos, aumento da produtividade e otimização dos processos decisórios, foi apontado por 87,6% das empresas que utilizam tecnologias digitais avançadas.
A seguir vieram a melhoria no relacionamento com clientes e/ou fornecedores, citado por 85,5% das empresas; o ganho na capacidade de desenvolvimento de produtos ou serviços novos (75,9%); a redução do impacto ambiental (72,1%); e a entrada em novos mercados (45,9%).
A pesquisa mostra ainda os principais fatores que levaram as empresas à adoção de tecnologia digital avançada. O que mais contribuiu para o uso dessa tecnologia foi a estratégia autônoma da companhia, apontada por 87% das empresas que utilizaram alguma tecnologia.
Segundo o IBGE, tal estratégia pode estar relacionada a: aumento da produtividade, eficiência e eficácia das empresas; necessidade da área de P&D; ampliação de projetos de inovação; aumento de portfólio de produtos e serviços; além de questões relacionadas à intenção das empresas em ampliar seus projetos voltados à Indústria 4.0.
A influência de fornecedores e/ou clientes, por sua vez, foi apontada por 63% das empresas que utilizaram alguma tecnologia; seguido pela influência da concorrência (50,8%); a atratividade de programas de apoio públicos ou privados (26%).
“[Isso] pode sugerir potencial espaço de atuação para aplicação de políticas específicas voltadas para maior difusão dessas tecnologias”, diz o IBGE.
Dentre as empresas que adotaram uma ou mais tecnologias digitais avançadas, 93,3% delas apontaram algum fator que, de alguma forma, dificultou a utilização dessas tecnologias. O fator mais apontado, por 80,8% das empresas, foram os altos custos das soluções; seguido da falta de pessoal qualificado (54,6%); a limitada oferta de pessoal qualificado no mercado (48,9%); a dificuldade de integração entre as áreas de negócios (47,3%); e as dificuldades relacionadas à interoperabilidade entre diferentes tecnologias digitais (45,7%).
Do total das indústrias extrativas e de transformação com 100 ou mais pessoas ocupadas, 15,1% não adotaram nenhuma das tecnologias digitais avançadas investigadas em 2022. Desse conjunto, 94,3% apontaram algum fator que contribuiu para que as empresas não adotassem essas tecnologias.
Altos custos das soluções tecnológicas
Os altos custos das soluções tecnológicas foi o fator mais apontado, por 70,3% das empresas que não utilizaram nenhuma das tecnologias digitais avançadas; seguido da não identificação da necessidade de adotar as tecnologias (52,5%); da escassez de oferta de programas de apoio e fomento públicos ou privados (45,1%); e da falta de conhecimento sobre as tecnologias e seus potenciais benefícios (32,2%).
A pesquisa foi feita em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foram investigadas 9.586 empresas do setor industrial – a partir de uma amostra de 1.532 delas – com 100 funcionários ou mais. Com isso, os resultados refletem a realidade de companhias de médio e grande porte e também de um setor que é considerado mais estruturado que os setores de serviços e comércio, por exemplo.
Quase 30% das indústrias usam robótica, 24%, big data, e 16,9%, inteligência artificial
A nova pesquisa do IBGE aponta ainda que 84,9% utilizaram pelo menos uma das seis seguintes ferramentas: análise de Big Data, computação em nuvem, inteligência artificial, internet das coisas, manufatura aditiva ou robótica.
O levantamento aponta que a computação em nuvem é a mais disseminada: foi mencionada por 73,6% das empresas. Em seguida vem a internet das coisas – que conecta objetos usados no dia a dia à rede mundial de computadores —, quase metade (48,6%) das companhias.
A robótica foi adotada, no ano passado, por quase 30% (27,7%) das indústrias, seguida pela análise de Big Data (23,4%) e pela manufatura aditiva (19,2%), com um processo de produção mais complexo que permite a criação de objetos a partir de um modelo virtual. Das seis tecnologias investigadas, a de menor adesão é a inteligência artificial, citada por 16,9% das empresas investigadas.
“A automação e uso de tecnologias de informação e comunicação é fundamental para uma visão de negócios voltada para a transformação industrial”, afirma o gerente da pesquisa, Flávio José Marques Peixoto.
Os dados mostram ainda que, quanto maior é o porte da empresa – considerando o critério de pessoal ocupado -, mais intenso é o uso de todas as seis tecnologias. No caso da robótica, por exemplo, mais da metade (51,1%) das empresas com 500 ou mais funcionários apontam seu uso, percentual que é de apenas 19,6% nas companhias que empregam entre 100 e 249 pessoas. A inteligência artificial já foi uma realidade em 2022 para 31,1% das empresas de maior porte (acima de 500 pessoas), enquanto se limitou a 12,4% entre aquelas menores.
Na internet das coisas, a utilização chega a 58,8% das empresas com mais de 500 empregados e 46,5% naquelas de 100 a 249 empregados. Mesmo na computação em nuvem, que é a tecnologia de maior adesão, o percentual é de 87% nas companhias maiores e de 68% nas menores.
“As empresas maiores tendem a ser mais tecnologicamente avançadas, diz Peixoto.
O estudo também traça as diferenças sobre o uso de tecnologia entre os diferentes segmentos da indústria. Na média, 84,9% das indústrias usaram pelo menos uma das seis tecnologias avançadas acompanhadas pelo IBGE.
Áreas como de máquinas e equipamentos (94,5%), extrativas (92,2%) e produtos diversos (92%) apresentam os maiores índices de utilização. Nesta última categoria está incluída a indústria de produtos médicos e odontológicos, com nível elevado de uso de tecnologias, segundo Peixoto. Por outro lado, segmentos como madeira (72,2%), confecção do vestuário (71,6%) e outros equipamentos de transporte (68,2%) apresentaram os menores índices de uso.