O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (23) que prevê um ano difícil na economia, e atribuiu a causa à política fiscal do governo Lula. Segundo o governador, o país "está gastando muito", o que resultará em desaceleração e queda na arrecadação nos Estados.
"A gente tem que pensar que o desafio fiscal é gigantesco. O que estou prevendo? Um ano difícil, um ano complicado. O Brasil não está indo bem no ponto de vista fiscal. É um país que está gastando muito. Está gastando o que não devia gastar", afirmou Tarcísio, em discurso a secretários de Saúde e deputados estaduais, durante cerimônia no Palácio dos Bandeirantes para anúncio de ações de combate à dengue no Estado.
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No fim do ano passado, o governo federal anunciou medidas de controle fiscal, consideradas insuficientes por Tarcísio. Ao falar sobre o cenário fiscal brasileiro para os gestores municipais, o governador fez uma projeção pessimista para 2025 e recomendou a eles que fizessem "o dever de casa".
"Para segurar a inflação já tem um reflexo em termos de política de juros. O que a gente vai ver? Desaceleração. A economia vai desacelerar. E quando decesalerar qual vai ser o primeiro reflexo? Queda na arrecadação. Vocês vão sentir isso no Fundo de Participação dos Municípios, no Fundeb [Fundo de Educação Básica], na quarta parte do ICMS. Vai acontecer", afirmou.
Estimativas recentes apontam para um quadro de inflação mais alta para este ano, a exemplo do Boletim Macro de janeiro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), que espera crescimento do PIB de 1,8% em 2025. O boletim Focus, divulgado na semana passada, subiu a estimativa de inflação de 5% para 5,08% para o ano, e elevou também a do PIB, de 2,02% para 2,04%. O Banco Mundial calculou que a economia brasileira deve crescer 2,2%.
O evento realizado na manhã desta quinta-feira (23) no Palácio dos Bandeirantes tinha por objetivo estabelecer ações de combate à dengue, no Estado, que, em 2024, registrou 2,1 milhões de casos, número mais alto já contabilizado desde 2020, início da série histórica. O secretário de Saúde, Eleuses Paiva, reconheceu que, para 2025, é esperado aumento de casos mais graves da doença.
Ao menos 34 municípios estão em situação de emergência por causa da doença, segundo levantamento da Secretaria Estadual da Saúde. Até a quarta-feira (22), seis pessoas morreram apenas neste ano e outros 85 óbitos estão em investigação, além de 22,6 mil casos confirmados.
Na semana passada, o governo apresentou um plano de contingência e, na manhã desta quinta, Tarcísio assinou decreto que prevê a criação de um Centro de Operações de Emergências (COE) de combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.
O governador anunciou ainda o repasse de R$ 228 milhões a municípios paulistas para combater a dengue.
Em paralelo com as ações de manejo para combater o mosquito transmissor da doença e na rede de saúde, o governo paulista aposta na aprovação de uma vacina produzida pelo Butantan, ainda em fase de análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Se aprovado, o imunizante será aplicado em dose única e a aplicação começaria ainda neste ano, mas em quantidade insuficiente.
"Vamos depender de todas as medidas de enfrentamento da dengue, as medidas tradicionais que mitigam os seus efeitos, especialmente o desenvolvimento de doenças graves no grupo de pessoas mais vulneráveis", afirmou o diretor do Butantan, Esper Kallás.