A política tarifária do presidente americano Donald Trump ou a isenção do Imposto de Importação sobre um grupo de alimentos, anunciada pelo governo federal na quinta-feira (6), não são suficientes para transformar o superávit da balança comercial brasileira em déficit. A afirmação foi feita nesta sexta-feira (7) pelo diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão, em entrevista coletiva para comentar os números da balança comercial de fevereiro.
No mês passado, a balança comercial brasileira teve déficit de US$ 323 milhões, influenciada pela importação recorde de uma única plataforma de petróleo, no valor de US$ 2,7 bilhões. Foi o primeiro déficit desde janeiro de 2022, quando houve resultado negativo de US$ 55 milhões. No primeiro bimestre deste ano, por sua vez, houve superávit de US$ 1,9 bilhão.
“Alguma mudança na política comercial de algum parceiro não é suficiente para mudar isso (superávit)”, disse o diretor ao ser questionado sobre a política de Trump.
De acordo com Brandão, “provavelmente [as medidas do presidente americano] não têm efeitos na balança comercial brasileira” até aqui.
“É cedo para fazer qualquer afirmação nesse sentido”, disse.
A respeito da isenção do Imposto de Importação sobre alimentos, o diretor afirmou que “não é esperado que alguma medida com essa envergadura” reverta superávits.
“O resultado [positivo] da balança vem caindo, mas não é esperado que se torne déficit”, disse, destacando que a Secex projeta para 2025 superávit entre US$ 60 bilhões e US$ 80 bilhões.
Brandão afirmou, por exemplo, que a “soja terá colheita mais tardia neste ano”, com impacto positivo nas exportações previstas para os próximos meses.
“Esperamos volumes crescentes para exportações nos próximos meses”, disse.
Sobre o resultado da balança em fevereiro, o diretor afirmou que a queda de 1,8% no valor exportado, sempre em comparação com o mesmo período do ano passado, foi fruto do recuo de 3,6% dos preços. Isso porque o volume exportado cresceu 1,4%. Já as exportações de petróleo e minério de ferro recuaram respectivamente 21,6% e 36,6% - em ambos os casos, por causa de quedas de volume e preço.