Em “Céu e Inferno”, suspense policial lançado em 1963, Akira Kurosawa absorvia elementos da “nova onda” que, alguns anos antes, provocara choques no cinema japonês. No terço final do filme, em especial, a câmera percorre espaços que, até pouco tempo antes, estavam ausentes das telas, e se tornaram visíveis sobretudo a partir de “Todos Porcos”, de Shoei Imamura (1961), com suas imagens cruas da pobreza e da violência de Tóquio no pós-guerra.