A segurança cibernética vem ganhando um novo papel dentro das organizações: de área técnica restrita a equipes especializadas, passa a ocupar uma posição estratégica e transversal nos negócios. Essa é uma das principais tendências de transformação digital do mercado, de acordo com o Technology Foresight 2025, da NTT DATA. O estudo aponta o avanço de um modelo no qual as tecnologias de segurança, risco, privacidade e governança se integram de forma contínua e automatizada aos processos empresariais.
Com a projeção de que o crime cibernético causará cerca de US$ 10,5 trilhões em prejuízos à economia global em 2025, essa mudança de paradigma, chamada de fusão acelerada de segurança, emerge como resposta à crescente complexidade do cenário digital e à sofisticação dos ataques, explica Carla Schwarzer, head de Cybersecurity da NTT DATA. “A cibersegurança vai transitar de uma função tradicionalmente reativa para uma estratégia preventiva e proativa com o uso massivo de tecnologias avançadas como inteligência artificial (IA), Machine Learning (ML) e computação quântica, que poderão detectar fraudes antes mesmo de serem configuradas.”
De acordo com o estudo, a fusão das tecnologias de detecção de resposta, identidade e proteção de dados vai garantir a adaptabilidade às ameaças em evolução, com a IA como protagonista na ampliação das automações e na tomada de decisões em tempo real.
Além disso, ferramentas como criptografia avançada, plataformas de gestão de riscos de terceiros, controles de privacidade, e monitoramento contínuo de identidades humanas e não humanas vão ampliar o escopo de proteção. Outro diferencial é a capacidade de priorização inteligente. Sistemas integrados já conseguem, por exemplo, identificar quais áreas do negócio são mais críticas e direcionar os recursos de proteção para elas de maneira dinâmica.
Casos reais demonstram os benefícios da abordagem de segurança integrada. Um dos projetos desenvolvidos pela NTT DATA envolveu a colaboração entre um banco e uma operadora de telecomunicações. A partir da análise cruzada de dados de localização e comportamento dos clientes, foi possível aprimorar a detecção de fraudes e simplificar a autenticação do cliente, resultando em uma queda expressiva nos casos de ataques.
Outro exemplo é um projeto conduzido pela NTT DATA na Europa com foco em segurança e privacidade para dispositivos IoT no setor de saúde, que tiveram um crescimento de 280% nos ataques cibernéticos. Diante da criticidade das informações confidenciais na saúde, a consultoria desenvolveu uma plataforma de detecção automatizada de ameaças, que aprimora as capacidades de equipes de resposta a incidentes por meio da coleta, análise e compartilhamento de inteligência sobre as ameaças, oferecendo uma avaliação de risco inovadora e adaptada para ecossistemas interconectados.
Thales Cyrino, diretor de vendas de Cybersecurity da NTT DATA, conta que um movimento recente é a disseminação dos Cyber Fusion Centers com o compartilhamento de informações entre empresas, algo que até pouco tempo atrás era visto com resistência no mercado. “Vemos uma mudança cultural, com concorrentes e players de setores distintos trocando dados sobre ataques e aprendizados com o objetivo maior de proteger o mercado como um todo.”
Além dos ganhos relacionados à maior proteção dos negócios e da sociedade, o modelo de fusão acelerada de segurança facilita a conformidade regulatória e fortalece a resiliência operacional. “Com essa abordagem, é possível implementar controles que atendem automaticamente aos requisitos regulatórios, elevando o nível geral de maturidade em segurança das organizações”, afirma Cyrino.
Apesar de todo o potencial, a tendência ainda enfrenta desafios. Um dos maiores, segundo Schwarzer, é a necessidade de mudança cultural. “Segurança não é responsabilidade apenas do setor de cybersecurity. As áreas de negócio precisam estar engajadas e entender que a segurança é uma aliada para mitigar riscos e gerar valor para o cliente e para a empresa como um todo.”