A história de Rafael Lourenzetto Camargo começa antes de qualquer empresa, sociedade ou plano de expansão. Começa no contato direto com a tecnologia, ainda na adolescência, quando cursos básicos de informática e longas horas em laboratórios escolares despertaram uma curiosidade que se transformaria em método de aprendizado. Aos 14 anos, ele já não apenas aprendia, mas ensinava. Aos 15, consertava computadores, orientava iniciantes e começava a entender que conhecimento técnico podia gerar valor real.
Esse início precoce moldou uma característica que atravessaria toda a sua trajetória: aprender fazendo. Foi assim que, ainda muito jovem, Rafael ingressou como estagiário em uma empresa de logística em 2003, onde teve contato direto com ambientes corporativos de rede, servidores e sistemas operacionais. A vivência prática, somada à orientação de um mentor experiente, acelerou um processo de formação que não dependia exclusivamente de diplomas, mas de exposição constante a problemas reais.
O crescimento profissional foi rápido, mas não linear. Em uma empresa de engenharia civil, Rafael participou da reestruturação completa da infraestrutura de redes e da segurança de dados. Era um ambiente mais complexo, com maior responsabilidade técnica. Foi ali que viveu um dos episódios mais marcantes da carreira: um erro crítico em servidor levou à sua demissão imediata, mesmo sem que tivesse sido o autor direto da falha.
Sem explicações claras e sem emprego, decidiu investigar sozinho o que havia acontecido. Passou semanas estudando logs, simulações e cenários até compreender a falha de segurança que derrubara o sistema. A demissão, que poderia encerrar sua trajetória naquele momento, acabou se tornando um divisor de águas. A experiência reforçou a importância do domínio técnico, da responsabilidade e da necessidade de entender sistemas de ponta a ponta.
Com apoio financeiro do avô, investiu em cursos de programação, redes e manutenção. Pouco depois, conquistou seu primeiro cliente fixo, um pequeno comerciante para quem estruturou toda a rede de computadores e a interligação entre lojas. O projeto segue ativo até hoje, quase duas décadas depois, o que ajuda a explicar a base de relacionamentos de longo prazo construída ao longo da carreira.
A sequência de oportunidades continuou com a entrada em uma empresa de hospedagem de sites e servidores, onde Rafael aprofundou seus conhecimentos em ambientes Windows e Linux. Já cursando a faculdade de gestão e administração de redes, assumiu um desafio de grande porte ao ser alocado para atender o Greenpeace em São Paulo. Ali, administrava toda a infraestrutura de tecnologia da organização, do suporte a usuários à segurança de dados, passando por compras e planejamento.
O período marcou um salto profissional. Além da autonomia técnica, Rafael teve contato direto com processos administrativos, gestão e desenvolvimento de sistemas, ampliando a visão sobre como a tecnologia se conecta às decisões estratégicas de uma organização. A combinação entre conhecimento técnico e entendimento do negócio começava a se consolidar.
Em 2006, Rafael decidiu empreender. Nascia a Newertech Soluções Tecnológicas, com foco em projetos personalizados de tecnologia para empresas de diferentes segmentos, especialmente o setor de alimentação. O crescimento foi rápido. Em poucos anos, a empresa chegou a quase 50 funcionários diretos e indiretos, atendeu redes de fast food em diversos estados e firmou parcerias que a levaram a operar dentro de grandes shoppings centers em São Paulo.
A expansão trouxe faturamento e visibilidade, mas também revelou fragilidades estruturais. A dependência de grandes contratos e o cenário econômico instável tornaram a empresa vulnerável a movimentos externos. Quando a crise atingiu a indústria automotiva em 2011, o impacto foi imediato. Cortes no setor de tecnologia, perda de clientes e dificuldades financeiras colocaram a sobrevivência do negócio em risco.
Entre 2011 e 2012, a Newertech atravessou seu período mais delicado. A sociedade foi desfeita, contratos se perderam e a empresa chegou a operar com estrutura mínima. Rafael decidiu assumir o controle total do negócio, comprando a parte do antigo sócio com apoio financeiro dos pais. A decisão envolveu riscos pessoais e emocionais, mas permitiu uma reorganização completa da empresa.
O recomeço exigiu cortes profundos, mudança de endereço e, principalmente, uma revisão do modelo de atuação. Foi nesse momento que uma situação cotidiana abriu espaço para um novo caminho. Um vizinho perguntou se seria possível compartilhar a internet da casa via rede sem fio. A pergunta simples revelou uma demanda latente em regiões com acesso precário à conexão.
Sem capital e com dívidas acumuladas, Rafael mergulhou nos estudos sobre redes wireless e começou a operar a partir da casa dos pais. Antenas improvisadas, planos modestos e cobrança manual marcaram os primeiros meses da operação. O que parecia provisório ganhou escala rapidamente. Ao atingir cerca de 50 clientes, ficou claro que a iniciativa precisava ser estruturada como negócio.
Nascia ali a NT Online, provedora de internet que se tornaria o principal eixo de crescimento do grupo. O avanço foi gradual, marcado por dificuldades regulatórias, processos de licenciamento, recuperação de crédito e anos de esforço para estabilizar a operação. Durante esse período, a empresa precisou lidar com inadimplência, concorrência crescente e limitações técnicas.
A chegada de grandes operadoras à região trouxe um novo desafio. O medo de perder clientes levou à decisão de investir em redes cabeadas e, posteriormente, em fibra óptica. A transição exigiu capital, planejamento e coragem. O momento mais arriscado veio quando Rafael decidiu contratar um empréstimo significativo para viabilizar a terceira fase do negócio.
A aposta contrariou opiniões externas, mas se mostrou decisiva. Em pouco mais de um ano, a empresa multiplicou a base de clientes, quitou dívidas antigas, profissionalizou a gestão financeira e estruturou um data center próprio. A operação ganhou escala, estabilidade e capacidade de expansão.
Depois de passar por uma crise profunda, você aprende que o risco não está em crescer, mas em não se preparar para crescer
— resume Rafael.
Hoje, as empresas lideradas por Rafael Lourenzetto Camargo atendem milhares de clientes em diferentes cidades da Grande São Paulo, contam com dezenas de colaboradores e faturamento mensal expressivo. A rotina deixou de ser operacional para se tornar estratégica, refletindo uma mudança consciente de papel ao longo dos anos.
A trajetória revela mais do que a construção de infraestrutura tecnológica. Mostra como aprendizado contínuo, decisões difíceis e capacidade de adaptação podem sustentar negócios fora do eixo das grandes capitais. Para Rafael, o principal ativo não está nos equipamentos ou nas redes, mas na experiência acumulada ao atravessar quedas, recomeços e ciclos de crescimento.
O caminho, ao que tudo indica, segue aberto. E, como em outros momentos da história, deve continuar sendo guiado menos pela busca por atalhos e mais pela disposição de entender problemas a fundo antes de propor soluções.
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