O secretário-executivo da UNFCCC, a convenção de clima da ONU (Organização das Nações Unidas), Simon Stiell, disse nesta quinta-feira (6) que "os ventos geopolíticos não estão a nosso favor", ao ser questionado sobre a ascensão de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos. Mas afirmou que é preciso ver a parte do copo que "está meio cheia" e que "a transição energética é imparável".
Em nenhum trecho de sua fala, no entanto, Stiell mencionou Trump ou os Estados Unidos.
"É um momento muito difícil. Sabemos que os ventos geopolíticos não estão a nosso favor. Podemos focar em todas as coisas negativas, todos os obstáculos que temos pela frente", disse Stiell. "E, como destaquei na minha apresentação, também é importante olharmos para o progresso que fizemos. Podemos ver o copo meio vazio, mas há também uma parte que está meio cheia."
O executivo está em Brasília, onde participou de um evento com diplomatas em formação e a imprensa no Instituto Rio Branco. O evento girou em torno das prioridades e desafios para o ano, com foco na conferência climática COP30, que acontecerá no fim do ano em Belém.
Ao justificar seu otimismo, ele lembrou que em 2024 foram investidos mundialmente US$ 2 trilhões em energia limpa, comparados a US$ 1 trilhão em combustíveis fósseis. Entretanto, reconheceu que o esforço que vem sendo feito tem sido insuficiente.
"Há um impulso, e esse impulso é imparável. Mas também sabemos o que a ciência está nos dizendo, onde vemos cada ano sucessivo mais quente que o anterior", afirmou. "Estamos vendo os impactos climáticos aumentando a uma taxa extraordinária. Os impactos climáticos estão acontecendo muito mais rápido do que foi previsto anteriormente. Então, ainda sabemos que o que estamos fazendo não é suficiente."
Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para presidir a COP30, o embaixador André Corrêa do Lago afirmou que a sociedade civil ganhou peso ante os governos na política climática.
"A política climática não se trata apenas dos países, mas de muitos outros atores. E esse engajamento de outros atores tornou-se, acredito, mais importante do que nunca, especialmente porque alguns países importantes estão deixando o processo ou não se envolvendo com entusiasmo", afirmou. "E esses outros atores, em geral, não são apenas a sociedade, obviamente, mas também o setor empresarial e os governos subnacionais, como cidades e Estados no Brasil ou nos Estados Unidos."
Corrêa do Lago emendou dizendo que, "se empresas e a sociedade civil também apoiam uma maior ambição [climática], os países podem realmente ter mais ambição e tomar decisões mais ousadas".
"Então, acho que há uma lógica muito menos hierárquica do que costumava ser. No início, era realmente um processo de cima para baixo, e, agora, acreditamos que precisamos estimular cada vez mais o processo de baixo para cima", afirmou.
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