A indústria perdeu força em 2025, segundo a análise de André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. “Foram três trimestres no campo positivo, mas com taxas muito próximas à estabilidade”, ponderou.
Na série comparativa de trimestre ante mesmo trimestre de ano anterior, o terceiro trimestre deste ano mostrou alta de apenas 0,1%. O número não difere muito dos resultados imediatamente anteriores - primeiro e segundo trimestres mostraram altas de 0,2%.
O técnico lembrou que, ao longo de todo o ano de 2025, a indústria experimentou um contexto macroeconômico com fatores que impediram maior dinamismo na atividade, especialmente nos últimos meses.
“Tivemos um ciclo de aperto monetário”, ponderou. O ciclo, iniciado em setembro do ano passado pelo Banco Central (BC), promoveu elevações sucessivas na taxa básica de juros (Selic). A Selic norteia todos os juros de mercado, e atualmente opera em 15% ao ano, maior patamar desde 2006.
Um cenário de juros altos, comentou o especialista, leva a menor ritmo de tomada de empréstimos por parte da indústria; bem como adiamento de decisões de investimento. Decisões de consumo também são adiadas, notou ele, o que afeta mercado interno e, por consequência, encomendas à indústria. “Como pano de fundo a política monetária é importante para se entender esse movimento da produção industrial”, ressaltou.
No acumulado do ano até setembro, a indústria registra alta de 1%. No ano passado, a produção industrial cresceu 3,1%.
O técnico foi questionado, ainda, se a política de “tarifaço” do governo dos Estados Unidos pode também ser razão para movimento mais fraco da indústria em 2025. O governo americano elevou este ano as tarifas de importação para diferentes países, entre eles o Brasil.
O especialista ponderou que, na pesquisa industrial do IBGE, não é possível saber percentual de empresas que citaram a palavra “tarifaço” como justificativa para queda de produção, e que isso é comentário espontâneo do informante.
“Ele pode ter tido [dificuldades na produção por conta do “tarifaço”] mas sem explicar na pesquisa. Mas creio que, se for o caso, é um percentual muito pequeno dentro da pesquisa”, disse Macedo.