O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo realizará o primeiro leilão de baterias ainda neste ano, em dezembro. A declaração foi dada durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (15). O ministro foi convocado por parlamentares para prestar esclarecimentos.
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Segundo Silveira, a iniciativa será uma das soluções para o país lidar com os efeitos da intermitência das fontes renováveis, como a eólica e a solar, no setor elétrico brasileiro. Ele também destacou a contratação de novas infraestruturas de transmissão nos últimos anos para ampliar o escoamento da geração, sobretudo no Nordeste.
“Temos um grande desafio no setor elétrico, que é o crescimento enorme das renováveis, que cria uma instabilidade do sistema no mundo inteiro. Acabou de haver um problema sério na Espanha e em Portugal por causa dessa instabilidade, que só será resolvida com a questão das baterias, pois vamos poder, literalmente, armazenar o vento”, afirmou.
Logo no início da reunião, Silveira foi questionado sobre as ampolas de urânio extraviadas em 2023. Segundo ele, o inquérito que apura o caso foi realizado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pelo Gabinete de Segurança Institucional, e concluiu que houve um erro operacional, sem qualquer ato ilícito.
O ministro mencionou ainda que o governo vem implementando políticas para avançar na modernização do setor nuclear brasileiro, o que, em sua avaliação, é fundamental para assegurar segurança energética, desenvolver a medicina nuclear e impulsionar o desenvolvimento nacional.
Ele voltou a defender a possibilidade de instalação de pequenos reatores nucleares como solução para o fornecimento de energia elétrica a sistemas isolados, ou seja, que não estão conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Importação de óleo da Venezuela
Também foi questionado sobre a suposta importação de óleo da Venezuela por empresas nacionais, apesar das sanções internacionais impostas ao país. Segundo o ministro, ele pediu informações à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que negou a existência de qualquer prática nesse sentido.
“Sabemos que a Petrobras, maior empresa do país, é impedida de se relacionar com qualquer país que tenha sanções. Até por ser listada na Bolsa de Nova York, seria o cúmulo do absurdo e teria medidas extremamente severas e altamente danosas à imagem da companhia e economicamente, se tivesse qualquer correlação com países sob sanção", disse.
"Em relação ao setor privado, notificamos a ANP, e a agência respondeu que não há nenhum relato oficial sobre qualquer correlação de empresas nacionais de importação de óleo da Venezuela para burlar qualquer tipo de restrição”, completou.