O setor de bares e restaurantes chega ao carnaval de 2025 com expectativas elevadas, mas em um cenário financeiro preocupante. Dados da recente pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revelam que 25% dos estabelecimentos operaram no prejuízo em janeiro, um aumento de 7% em relação a dezembro.
“O aumento no número de empresas operando no vermelho é um alerta”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel. Segundo ele, os estabelecimentos têm enfrentado dificuldades para ajustar suas finanças diante de custos operacionais cada vez mais elevados, e o foco no carnaval será justamente tentar equilibrar esse cenário desafiador.
Apesar do momento desafiador, 66% das empresas projetam faturar mais durante os dias de folia deste ano. Em comparação com o mesmo período do ano passado, 59% estimam que o crescimento deve chegar a 20%, enquanto para 22% haverá estabilidade e apenas 6% projetam queda. A pesquisa ouviu mais de 2 mil empresários em todo o Brasil.
Vale lembrar que o impacto no setor está longe de ser uniforme. Há lugares em que o Carnaval é extremamente forte e outros onde praticamente não existe. Mesmo dentro de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, os efeitos sobre os estabelecimentos são muito distintos.
Um desafio comum enfrentado pelos empresários é a dificuldade de repassar a inflação para o cardápio. Cerca de 32% dos estabelecimentos não conseguiram realizar nenhum aumento nos últimos 12 meses, apesar da alta nos custos.
Entre os que reajustaram, 59% o fizeram em linha ou abaixo da inflação, enquanto apenas 9% puderam repassar valores superiores à alta inflacionária.
Enquanto isso, a pressão sobre as margens aumenta, com elevação de gastos como aluguel, energia, insumos e folha de pagamento.
Contratações moderadas para o carnaval
Apesar da importância econômica do carnaval para o setor, 66% dos estabelecimentos não pretendem contratar funcionários temporários para o período. Apenas 11% planejam fazer ou já fizeram contratações sazonais, 9% ainda não decidiram e 14% sequer irão operar durante as festividades.
Esta cautela nas contratações, mesmo em um período tradicionalmente aquecido, reflete o cenário de incertezas e a tentativa de maximizar resultados com a estrutura atual.
O horizonte para os próximos meses também sugere moderação. Segundo a pesquisa, boa parte das empresas pretendem manter o quadro atual de empregados durante o primeiro semestre de 2025. Entre as demais, 19% esperam realizar novas contratações, enquanto 16% preveem redução no número de funcionários.
Segundo a Associação Nacional dos Restaurantes (ANR), há uma preocupação com o arrefecimento do mercado de trabalho — algo que não acontecia desde o fim da pandemia. A ANR também observou uma redução de investimentos e expansão nos últimos meses, em resposta ao cenário econômico menos pujante.
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