O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou nesta terça-feira (19) que a Rússia fará de tudo para evitar uma guerra nuclear com a Ucrânia. As declarações foram dadas no Rio, durante a cúpula do G20, após Vladmir Putin atualizar a doutrina nuclear do país.
Segundo Lavrov, os novos critérios não diferem dos já adotados pelos Estados Unidos. O comentário foi feito após a decisão do governo Joe Biden de permitir que a Ucrânia dispare mísseis de longo alcance.
“A Rússia é fortemente a favor de fazer de tudo para prevenir uma guerra nuclear na Ucrânia. A atualização da doutrina militar não representa nada que o Ocidente não saiba. Não adiciona nada diferente da doutrina dos americanos sobre a utilização de armas nucleares”, disse a jornalistas no Rio.
O chanceler representa o presidente russo, Vladimir Putin, que já havia comunicado ao Brasil que não participaria do encontro. O chefe do Kremlin é condenado pelo Tribunal de Haia por crimes de guerra na Ucrânia e pode ser preso se deixar a Rússia. Lavrov já havia vindo ao Brasil para a reunião de chanceleres do G20, em fevereiro.
Na entrevista, Lavrov reforçou a posição russa de que o G20 é um fórum econômico. “O objetivo [do encontro] foi estabelecer um diálogo econômico entre países desenvolvidos e em desenvolvimento para encontrar saídas para o setor agropecuário e superar desigualdades e pobreza”, afirmou.
Ele disse que apesar de a maioria dos países insistirem para que as discussões fossem mantidas no nível econômico, foi incluída uma página que contempla todos os conflitos, em especial no Oriente Médio. O chanceler afirmou que o Kremlim concordou com parágrafo final sobre a guerra na Ucrânia porque há “um chamamento ao diálogo justo pela paz”.
Apesar disso, criticou o Ocidente por tentar “ucranizar” as declarações finais das últimas cúpulas do G20, sem sucesso. Na entrevista, o russo também atribuiu o “destino trágico dos palestinos” na Faixa de Gaza ao resultado de “Ingerências” praticadas por Washington e seus aliados.
Lavrov cobrou que o G20 aplique os princípios da carta das Nações Unidas que, segundo ele, é a base da colaboração internacional. “Em primeiro lugar, na igualdade soberana dos Estados. O Ocidente nunca respeitou esse princípio. A carta da ONU é a base de toda colaboração internacional”, afirmou.
Segundo o chanceler, a declaração final reconhece dificuldades atuais no principal objetivo da construção de relações internacionais baseadas na multipolaridade e a erradicação da desigualdade.
Ele também demonstrou apoio à entrada do Brasil e da Índia como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e defendeu a ampliação da estrutura. Ele também destacou que o G7 vem perdendo espaço para os Brics e que o grupo de emergentes alcançou um patamar em que pode criar mecanismos independentes do Ocidente em investimentos e mercados.
Na citação ao Brics, o chanceler russo afirmou que o grupo alcançou uma posição em que pode criar seus próprios mecanismos independente do Ocidente, citando sistemas de pagamentos, investimentos e mercados financeiros.