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Por que as grandes empresas também morrem? Pergunta vira tema de discussão no Gramado Summit | Empresas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/06/2025 às 17:40 · Atualizado há 1 semana
Por que as grandes empresas também morrem? Pergunta vira tema de discussão no Gramado Summit | Empresas
Foto: Reprodução / Arquivo

A grande maioria dos CEOs globais (84%) acredita que a inovação é fundamental para o crescimento da empresa. Mas apenas 6% deles estão satisfeitos com a maneira como suas companhias inovam. A contradição foi apontada por Denis Chamas como uma das principais razões pelas quais as grandes empresas morrem, em apresentação durante o Gramado Summit.

“Hoje vemos empresas que têm um produto de sucesso e daí seguem o fluxo. Para elas, fazer alguma coisa diferente é pior, porque tem riscos envolvidos”, disse ele em entrevista a Época NEGÓCIOS, depois de deixar o palco.

Chamas fala com conhecimento de causa. Promover transformações de impacto em grandes empresas é a sua especialidade: ele deixou recentemente o cargo de Diretor de Plataformas Digitais da Coca-Cola para a América Latina. Antes disso, foi Gerente Sênior de Inovação e Novos Modelos de Negócios da Nestlé e Gerente Sênior de Inovação e Transformação Digital da Philip Morris International.

Denis Chamas, futurista e especialista em transformações digitais de grandes empresas — Foto: Divulgação

“Para mim, a função de quem trabalha como um agente de transformação numa grande empresa é habilitar os líderes, que têm conhecimentos bem específicos sobre o negócio e o mercado, a viajarem para outra dimensão e se conectarem com diferentes universos sozinhos”, diz Chamas.

É assim que o executivo costuma apresentar novas tecnologias, como a inteligência artificial, aos CEOs. “Eu entrego as ferramentas e tento aguçar a sua curiosidade pela tecnologia, para que abracem a novidade e destravem a inovação dentro da empresa. Quando dá certo, é fascinante. Passei por grandes experiências que valeram muito a pena.”

Mas e nos casos em que não há um agente da transformação por perto? Chamas enfatiza que cada negócio tem uma história diferente. Mas alguns comportamentos costumam se repetir: é o caso da resistência ao novo, muitas vezes arraigada nas equipes.

“Em certa ocasião, quando trabalhava numa fábrica em Santa Cruz do Sul, o diretor, que era um cara genial, falou para mim: “Denis, seu trabalho às vezes não é percebido de forma positiva”. Eu fiquei surpreso, porque achei que todo mundo gostasse.” Mas, depois da conversa, percebeu o quanto todos estão ocupados, cumprindo suas funções.

“Ninguém tem tempo sobrando para aprender algo novo”, diz. Da mesma maneira que ocorre com os líderes, também é preciso engajar as equipes, com um longo trabalho de conexão e empatia, para que entendam o que está chegando como algo que será benéfico para todos", afirma.

Outra razão pela qual os CEOs fogem da inovação é a pressão dos acionistas para que se mantenham sempre no core business. “Ao estudar algumas dessas empresas com esse núcleo mais duro, percebi que os líderes são muito cobrados para manter o foco e executar o que foi pedido.”

Quando a empresa já tem um histórico inovador, fica mais fácil resistir à pressão, porque o próprio acionista vê as novas ferramentas como uma oportunidade de crescer. “Uma empresa como a Nintendo, que começou fazendo jogos de cartas e hoje lança os games híbridos mais avançados do mundo, sempre terá liberdade para inovar. Mas, quando isso não faz parte da sua cultura, fica mais difícil.”

No caso de empresas com grande poder de investimento, diz, elas podem simplesmente comprar o concorrente inovador, ou fazer uma fusão. “Elas podem se dar ao luxo de fazer isso, e seguir com o mesmo jeito de fazer as coisas”, diz o executivo.

Existem, porém, aquelas lideradas por visionários, que nunca vão parar de criar coisas que ninguém imaginou. “Você pediu um telefone que tinha só uma tela preta e nenhum botão? Não, mas o Steve Jobs criou e hoje ninguém consegue viver sem.”

Para Chamas, existem disciplinas e práticas que ajudam a empresa a encontrar o caminho da inovação, como o design especulativo e a construção de cenários de futuro. “Ajuda se ela consegue pensar em um horizonte de dez anos, e começar a trabalhar agora para construir essa visão de futuro. O ponto é como a gente consegue olhar para frente e alcançar um objetivo mais legal e mais importante, tanto para a empresa quanto para a sociedade.”

Quanto ao seu futuro no mundo corporativo, Denis Chamas diz que não pode revelar muito no momento. Prefere falar de projetos pessoais, como o lançamento de um álbum instrumental feito com IA ou um projeto com impressão 3D. “Estou fazendo desenhos de objetos para que as pessoas possam imprimir em casa ou em um fablab, em vez de ir comprar na loja. Vou disponibilizar gratuitamente. Esse tipo de descentralização também é algo que me interessa muito.”

*A jornalista viajou a convite do evento


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