O Partido Liberal (PL), segundo maior partido do Senado, anunciou nesta quarta-feira (30) apoio à candidatura de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência da Casa. O ex-presidente Jair Bolsonaro participou da reunião que selou o movimento de seu partido. A legenda tem a segunda maior bancada do Senado com 14 parlamentares.
Ao fazer o anúncio, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), destacou a importância de o partido ocupar espaços como a presidência de comissões. Em 2023, Marinho foi derrotado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o bloco que o apoiou ficou sem vagas na mesa diretora e no comando dos colegiados.
“Nessa eleição para o Senado, nós vamos apoiar a candidatura de Davi Alcolumbre. Nós entendemos que, neste momento, estrategicamente é importante esse posicionamento do PL para que haja respeito à proporcionalidade e à ocupação de comissões permanentes que vão nos permitir trabalhar pautas importantes que a oposição nestes primeiros dois anos teve dificuldade”, disse Marinho.
Segundo o Valor apurou, Alcolumbre teria sinalizado com a possibilidade de um quadro da oposição, que tem o PL como maior partido, ocupar a vice-presidência do Senado ou o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Interlocutores do candidato, no entanto, afirmam que ele apenas garantiu espaço ao partido em troca de apoio à sua candidatura.
Na articulação do apoio ao nome de Alcolumbre, o PL levou como principais demandas o apoio ao projeto de lei que anistia os golpistas condenados pelos ataques as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 e que pode abrir brecha para Bolsonaro reverter sua inelegibilidade.
Marinho rechaçou que o projeto tenha sido uma condição imposta para o apoio do partido e que Alcolumbre não se comprometeu com o tema especificamente. “Para nós do PL, a anistia é uma questão essencial porque estamos vendo vários cidadãos brasileiros que estão sendo penalizados com sentenças desproporcionais por uma questão de um golpe que não ocorreu”, afirmou.
“A conversa que tivemos com Alcolumbre foi em teses. Nós queremos e acreditamos que é possível tratar de qualquer tema nessa casa, inclusive anistia”, afirmou.
“Não há condicionante. O que nós conversamos é que qualquer projeto que chegar aqui não vai ter obsidie”, acrescentou Marinho, destacando que nas pautas está incluso eventual deliberação sobre impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Segundo interlocutores de Alcolumbre, o senador não sinalizou à bancada do PL se pautará ou não o tema em uma eventual gestão na Casa.
Na terça-feira (29), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou a criação de uma comissão especial para deliberar o tema, que estava prestes a ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
Bolsonaro está inelegível até 2030 por abuso de poder político na reunião com embaixadores em que fez afirmações falsas contra as urnas eletrônicas e, também, pelo uso eleitoral das comemorações do Dia da Independência em 2022.
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