Cardeais brasileiros falaram nesta sexta-feira (9), em Roma, de suas expectativas em relação a posições e prioridades do novo papa Leão XIV e sobre alguns temas polêmicos que o esperam. Entre eles, uma eventual mudança na regra do celibato, uma ampliação do papel das mulheres e a visão da Igreja sobre a homossexualidade.
“Conhecendo um pouquinho o papa Leão, ele não se fecha aos diálogos. Certamente continuará a dialogar. O papa Francisco fazia questão de conversar sobre essas questões”, disse Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus que participou do conclave esta semana. “Tenho certeza que o papa Leão não há de tolher o diálogo.”
Ao falar da discussão sobre a possibilidade de a Igreja passar a ordenar homens casados, em regiões como a Amazônia, onde há escassez de padres, Dom Leonardo afirmou: “A questão não virá da América Latina, no meu ver. Hoje a Europa já está, em muitos lugares, sem presbíteros. Essa questão vai ser refletida e aprofundada pela Igreja inteira. É claro, depois de tanto tempo, isso não significa eliminar o celibato. Mas a Igreja, depois da tantos séculos com a espiritualidade e teologia em torno do celibato, terá de dar passos.”
Ele mencionou outros ritos católicos – não o apostólico romano – em que padres casados já são uma realidade. “Continuar a aprofundar é necessário para não criarmos divisões desnecessárias devido a questões disciplinares e não teológicas.”
Durante a entrevista, por mais de uma vez os cardeais foram perguntados sobre as posições do primeiro papa americano em relação à políticas migratórias do presidente americano, Donald Trump. E também sobre as guerras.
“O papa começou falando de paz, portando já deu indícios por onde vai o discurso dele em relação à guerra”, disse Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo. Sobre a questão da imigração, o cardeal procurou se distanciar da visão que o novo papa deva ser identificado tão fortemente com os Estados Unidos. “Ele nasceu nos Estados Unidos, mas nunca foi bispo lá. Ele fez seus primeiros estudos na América do Norte, depois fez doutorado em Roma e depois foi ser missionário e bispo no Peru. Além de ter sido superior geral da Ordem de Santo Agostinho por 12 anos, aqui em Roma”, disse Dom Odilo. “Leão XIV tem também a nacionalidade peruana, além da americana”.
E acrescentou: "Acho que é um clichê o que estamos repetindo facilmente: ‘Ah, ele é americano então vai agir como um americano.' Ele é mais peruano do que americano. Ele é um cidadão do mundo. E quando a questão das migrações, é bom não esquecer que a maioria dos bispos nos Estados Unidos estão fortemente e ostensivamente contrários às politicas migratórios de Donald Trump”.
Durante toda a conversa com a imprensa, os cardeais foram questionados sobre o porquê de o papa ter escolhido o nome de Leão. A motivação exata, os cardeais brasileiros reconheceram que não sabem, mas eles acreditam que seja por uma busca de Justiça Social.
"O novo papa tem uma grande consciência social, por isso deve ter escolhido o nome de Leão, seu antecessor com mesmo nome, Leão XIII, publicou a encíclica 'Rerum Novarum', que inaugurou a Doutrina Social da Igreja", diz Dom Odilo. "Ele não escolheu Francisco II, porque não é uma cópia do papa Francisco. Ele vai dar continuidade ao antecessor, mas com seu estilo próprio", pontuou Dom Paulo Cézar, arcebispo de Brasília.
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