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O que fazer se não consigo me adaptar à cultura da empresa? | Carreira no Divã

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 13/11/2024 às 06:00 · Atualizado há 4 dias
O que fazer se não consigo me adaptar à cultura da empresa? | Carreira no Divã
Foto: Reprodução / Arquivo

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"Há seis meses trabalho na controladoria de uma empresa, e sinto dificuldade em me adaptar à cultura da companhia. Venho de experiências onde era permitido questionar tudo a qualquer momento, participar de discussões sobre as atividades que eu fazia, conversar abertamente com as pessoas sobre qualquer coisa, e estou convencido de que isso colaborou e muito para a existência de um ambiente que buscava soluções, aumentava o entrosamento da equipe e o senso de pertencimento dos colaboradores. Porém, na empresa em que trabalho hoje, tudo é um grande segredo, não podemos nos envolver de fato com questões estratégicas, tudo muda muito rápido e não tem espaço para opiniões, pois ela ficam restritas somente à alta gestão. Até uma pausa para um café no meio da tarde, com duas ou mais pessoas, é visto como ociosidade por parte da gerência. Reparei nas pessoas que trabalham comigo, e elas são exatamente do jeito que a empresa quer. Parece que elas já aceitaram ser dessa forma, e isso me deixa ainda mais em evidência, pois acabo sendo o único que demonstra 'não se enquadrar'. Já expus minha insatisfação para meu coordenador, e apesar de ele concordar comigo, é uma coisa que não depende dele e sim de cargos acima. Seria apropriado eu mesmo expor minha insatisfação para a gerência, ou devo ser resiliente e me enquadrar nesta cultura? Me sinto uma peça de um quebra-cabeça." Analista administrativo, 27 anos

Oi, pessoas queridas! Espero que estejam bem!

Entendo sua frustração e o dilema em que você se encontra. A situação que você descreve, onde o ambiente de trabalho é rígido e a comunicação parece ser restrita a níveis superiores da hierarquia, pode ser desafiadora, especialmente para alguém com um estilo mais aberto e colaborativo. A sensação de não se encaixar é natural quando há um contraste tão grande entre sua forma de trabalhar e o que é esperado na empresa.

Aqui estão algumas reflexões e sugestões que podem ajudá-lo a decidir como proceder:

1. Compreenda a cultura da empresa

Antes de tomar qualquer atitude, é importante refletir sobre a cultura da empresa e se ela realmente é algo que você consegue aceitar a longo prazo. Algumas empresas têm culturas mais fechadas e hierárquicas, enquanto outras são mais colaborativas e abertas. Às vezes, a adaptação pode ser possível, mas em outros casos, pode ser um sinal de que o ambiente não é adequado para você. Tente entender se essa cultura está alinhada com seus valores e estilo de trabalho. Se a resposta for não, isso pode indicar que a empresa não é o melhor lugar para o seu desenvolvimento a longo prazo.

2. Busque equilíbrio entre adaptabilidade e autenticidade

Embora você possa ter vontade de expressar suas insatisfações de maneira direta, especialmente se já conversou com seu coordenador sem ver mudanças, é importante considerar se a abordagem será eficaz. A cultura da empresa pode ser um reflexo de suas diretrizes e objetivos, e não necessariamente uma questão de gestão ruim. Pergunte a si mesmo: seria possível encontrar uma forma de se encaixar, ainda mantendo seus princípios e integridade, sem comprometer tanto seu bem-estar?

Colunista escreve que às vezes, a adaptação à cultura organizacional pode ser possível, mas em outros casos, pode ser um sinal de que o ambiente não é adequado para determinado profissional — Foto: Freepik

Se, por exemplo, a empresa valoriza o foco e a eficiência, você pode tentar incorporar esses valores no seu trabalho, mas mantendo espaço para sua necessidade de interação e engajamento. O que não se pode perder de vista é a ideia de que você não precisa se transformar em algo que não é apenas para se adaptar.

3. Avalie o impacto de expor sua insatisfação

Expor sua insatisfação diretamente à gerência pode ser uma faca de dois gumes. Pode ser útil se a gestão valorizar uma comunicação aberta e se você sentir que há espaço para mudar a cultura de forma construtiva. No entanto, se a empresa tem uma estrutura rígida e a gestão não está disposta a considerar essas mudanças, você pode acabar criando um desconforto desnecessário para si mesmo e para os outros, sem resultado prático. Além disso, você pode ser visto como alguém que não se adapta, o que pode prejudicar sua imagem dentro da organização.

Se você decidir expor sua insatisfação, procure fazê-lo de maneira construtiva. Ao invés de apenas listar o que está errado, sugira soluções que podem melhorar o ambiente de trabalho, ou até mesmo exemplifique como uma maior abertura poderia beneficiar a empresa no longo prazo, especialmente no quesito colaboração e engajamento.

4. Ser resiliente ou buscar novos caminhos?

A resiliência é importante, mas ela não significa aceitar tudo passivamente. A chave aqui é encontrar um equilíbrio entre se adaptar e não perder sua essência. Caso você já tenha tentado se adaptar e sinta que o ambiente não está permitindo seu crescimento pessoal e profissional, talvez seja o momento de refletir se é hora de buscar novos caminhos. Pode ser que o tipo de trabalho e a abordagem da cultura de outra empresa, mais alinhada com o seu estilo, seja uma melhor opção para o seu bem-estar e desenvolvimento.

5. Reflita sobre seu futuro na empresa

Caso, ao longo do tempo, você perceba que a adaptação à cultura da empresa é insustentável para você, pode ser interessante começar a considerar outras opções no mercado. Afinal, a convivência em um ambiente de trabalho onde você sente que não se encaixa pode gerar desgaste emocional e até afetar sua performance.

Se você acredita que tem espaço para uma abordagem construtiva, uma conversa com a gerência pode ser uma forma de trazer à tona suas preocupações. Porém, se a cultura da empresa parece inflexível e não se alinha com seus valores, talvez seja hora de refletir se este é o tipo de ambiente em que você quer continuar a desenvolver sua carreira. Lembre-se de que a sua adaptação deve ser uma escolha que preserve seu bem-estar, e não um processo que o desgaste continuamente.

Dani Jesus é psicóloga, ativista, criadora do Currículo Oculto e apaixonada por cultura, gestão de pessoas, diversidade, equidade e inclusão.

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Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.


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