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"Estou há pouco mais de um mês trabalhando numa empresa e percebi que meu chefe não tem muito conhecimento da área em que atuamos. Pelo que eu entendi, ele foi transferido de outro departamento da companhia para coordenar a equipe da qual eu faço parte. Isso tem me desanimado um pouco porque achei que teria a possibilidade de me desenvolver como profissional mas, em vez disso, eu gasto tempo explicando coisas básicas para ele. Sem contar que muitas vezes ele dá ordens sem saber do que se trata e impõe prazos irreais devido ao fato de não conhecer o assunto. O que fazer se meu chefe sabe menos do que eu?"
Essa é uma situação desafiadora, e você não está sozinho. Situações assim são comuns, especialmente em grandes empresas onde as movimentações internas acontecem o tempo todo. No entanto, quando estamos na posição de liderado e enfrentamos essa realidade, a sensação pode ser de frustração, desmotivação e até de estagnação.
Primeiro, vamos olhar para o porquê dessa movimentação. Muitas empresas promovem líderes de um setor a outro para que possam ter uma visão ampla do negócio, aprender novas habilidades e, ao mesmo tempo, trazer um olhar fresco para a área. Essa abordagem pode ser positiva, trazendo novas ideias e uma estratégia diferente, mas, como você está vendo, pode também gerar desencontros, principalmente quando o líder ainda não tem domínio técnico do assunto.
Por mais que seu líder tenha muito a aprender, é possível que ele também traga habilidades que talvez você ainda não tenha notado, como visão de processos ou capacidade de articulação com outras áreas. Procure entender melhor o que ele pode oferecer para o seu desenvolvimento — e se existem competências que você pode absorver desse contexto.
Essa situação te coloca numa posição onde você pode, sim, desenvolver habilidades estratégicas e de liderança, ainda que de forma indireta. Você pode fazer isso de várias formas, como: mostrar o contexto, para que ele possa usar para compreender a fundo o que é feito ali; apoiar na tomada de decisão e reverter situações a seu favor, argumentando de forma construtiva, expondo fatos e prazos baseados na realidade do trabalho; e prevenir problemas com base em dados e fatos, oferecendo informações embasadas que ajudem a esclarecer as consequências de certas escolhas.
Dessa forma, você mostra ao seu chefe o quanto entende da área e ajuda a construir uma relação de respeito e cooperação. E sim, isso também te coloca em evidência para futuros reconhecimentos e até para uma futura promoção, pois quando a empresa percebe que um colaborador está assumindo esse papel, ela tende a valorizar essa iniciativa.
Se, mesmo após esses passos, você continuar com a sensação de que o cenário é limitador, vale uma reflexão sobre seus próximos passos dentro da empresa. Seu chefe pode não ser o mentor técnico que você imaginou, mas essa situação tem um enorme potencial de crescimento para você. O segredo é focar nas soft skills que a situação exige e se movimentar em direção ao desenvolvimento.
Ajuste suas expectativas e use os desafios para fortalecer suas competências. O mercado de trabalho valoriza profissionais que, mesmo em cenários adversos, conseguem se adaptar, liderar e influenciar de maneira positiva.
Cada experiência que vivemos nos traz um aprendizado único, e esse pode ser o momento que você olhe para trás e veja como ele te preparou para desafios ainda maiores.
Thomas Nader é especialista em HRBP, cultura organizacional, inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho, trabalho voluntário para comunidade LGBTQIA+ e processos seletivos inclusivos.
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Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.