Publicidade
Capa / Econômia

O planeta pede socorro, mostra relatório da Organização Meteorológica Mundial | Mundo

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 18/03/2025 às 21:32 · Atualizado há 6 dias
O planeta pede socorro, mostra relatório da Organização Meteorológica Mundial | Mundo
Foto: Reprodução / Arquivo

O ano de 2024 foi o ano mais quente em 175 anos de registros históricos. A concentração atmosférica de CO2 está nos níveis mais altos dos últimos 800 mil anos. As 18 menores extensões de gelo marinho do Ártico aconteceram todas nos últimos 18 anos e as três menores extensões de gelo na Antártida ocorreram nos últimos três anos. A taxa de elevação do nível do mar dobrou desde que as medições por satélite começaram. O relatório da Organização Meteorológica Mundial sobre o estado do clima global mostra que o planeta está emitindo sinais de socorro.

Segundo o secretário geral das Nações Unidas, António Guterres, “nosso planeta está emitindo mais sinais de socorro”, disse, sobre o relatório da OMM. Ele disse, contudo, que o relatório “mostra que limitar o aumento da temperatura global a longo prazo, a 1,5°C, ainda é possível” e que “os líderes devem se esforçar para que isso aconteça – aproveitando os benefícios de energias renováveis baratas e limpas – com novos planos climáticos nacionais previstos para este ano”.

O relatório State of the Global Climate, lançado hoje pela OMM, confirmou que 2024 foi o primeiro ano a ficar mais de 1,5°C acima da era pré-industrial. Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, lembrou que, “embora um único ano acima de 1,5°C de aquecimento não indique que as metas de longo prazo do Acordo de Paris estejam fora de alcance, é um alerta de que estamos aumentando os riscos para nossas vidas, economias e para o planeta”.

As temperaturas globais recordes de 2023 e superadas em 2024 aconteceram, principalmente, em função do aumento contínuo nas emissões de gases-estufa junto com “uma mudança de um evento de resfriamento La Niña para um evento de aquecimento El Niño”, diz o material enviado à imprensa.

“Vários outros fatores podem ter contribuído para os saltos de temperatura inesperadamente incomuns, incluindo mudanças no ciclo solar, uma erupção vulcânica massiva e a diminuição nos aerossóis de resfriamento”, segue a nota. “As temperaturas são apenas uma pequena parte de um quadro muito maior”.

Os dados de 2024 mostram que os oceanos continuam aquecendo e os níveis do mar continuam subindo. A criosfera – nome que se usa para as áreas congeladas da superfície da Terra — estão derretendo a “taxas alarmantes: as geleiras continuam a recuar e o gelo marinho da Antártida atingiu sua segunda menor extensão já registrada. Enquanto isso, o clima extremo continua a ter consequências devastadoras no mundo todo”, disse Celeste Saulo.

Ciclones tropicais, inundações, secas e outros perigos em 2024 levaram ao maior número de novos deslocamentos registrados nos últimos 16 anos, contribuíram para o agravamento das crises alimentares e causaram enormes perdas econômicas, segue o material.

O relatório alerta para a necessidade de investimentos ainda maiores em sistemas de alerta precoces e serviços climáticos que ajudem tomadores de decisão e a sociedade em geral a serem mais resilientes aos extremos climáticos. “Estamos progredindo, mas precisamos ir mais longe e mais rápido. Só a metade dos países no mundo tem sistemas de alerta precoces adequados. Isso precisa mudar”, disse Celeste Saulo.

O relatório da OMM diz ainda que o aumento do nível do mar e o aquecimento dos oceanos levariam entre 100 e 1.000 anos para serem revertidos, se os esforços começassem hoje.

Em 2024 aconteceram ao menos 151 fenômenos meteorológicos extremos sem precedentes.

"O novo relatório da OMM é um alerta inquestionável: o planeta está aquecendo em ritmo acelerado e as consequências já estão sendo sentidas em todo o mundo”, disse ao Valor Alexandre Prado, líder em mudança climática do WWF-Brasil. “A OMM confirmou que 2024 foi o primeiro ano com temperatura média global superior a 1,5°C em relação à era pré-industrial, atingindo 1,55°C acima da média de 1850-1900. Esse não é mais um cenário hipotético – estamos cruzando limiares críticos que terão impactos duradouros”, seguiu.

Prado lembra que, com a realização da COP30 no Brasil, “temos uma oportunidade única de colocar a ambição climática global no centro da agenda internacional. Não podemos mais adiar compromissos para o futuro; precisamos garantir que as promessas feitas se convertam em ações concretas para frear a escalada das emissões e proteger populações vulneráveis. A COP30 pode e deve ser um divisor de águas nesse sentido."

— Foto: Ant Rozetsky/Unsplash

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade