As negociações para uma possível aquisição da fabricante de pás eólicas Aeris Energy pela chinesa Sinoma Blade não avançaram, mas os executivos da empresa não descartam a entrada de um novo sócio estratégico para ajudar a empresa a atravessar a crise financeira.
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A informação foi confirmada pelo diretor financeiro e de relações com investidores da Aeris, José Azevedo, em entrevista exclusiva para tratar dos resultados do quarto trimestre de 2024. No início de novembro de 2024, a família Negrão, fundadora e controladora da Aeris, recebeu da chinesa uma oferta não vinculante pelo controle da empresa. A proposta não andou.
A entrada de um novo investidor pode ser uma alternativa para reforçar o caixa e equilibrar a estrutura de capital da companhia, que atravessa um dos períodos mais delicados por conta de uma crise do setor eólico no Brasil.
“Tudo depende de quanto esse investidor está disposto a pagar”, afirmou o executivo, ao comentar sobre o interesse de potenciais parceiros.
No quarto trimestre de 2024, a empresa teve um prejuízo de R$ 833 milhões, resultado impactado principalmente por um efeito contábil de “impairment” (baixa contábil) de R$ 751 milhões, decorrente da perda de contratos com três grandes clientes: Siemens Gamesa, Nordex e WEG.
Com a retração de contratos e aumento do endividamento, a Aeris vê sua alavancagem disparar, atingindo 8,6 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda, o que representa uma dívida líquida de R$ 1,18 bilhão.
Para ganhar fôlego, a companhia acertou um acordo de “standstill” (interrupção momentânea de pagamentos) com debenturistas, válido por até 60 dias. O mesmo será negociado com os bancos credores. A medida suspende vencimentos e ações de cobrança durante esse período, permitindo à Aeris concluir um reperfilamento da dívida até o fim do primeiro trimestre de 2025.
Apesar do momento crítico, o executivo frisa que a família controladora do negócio acredita em sua capacidade de se reestruturar. “Ninguém põe dinheiro na companhia e um ano e meio depois diz que não está bom e ir embora”, afirma. “Isso é uma coisa momentânea, pois sabemos que o mundo não vai ficar sem energia eólica”, frisa Azevedo.
Em paralelo à renegociação das dívidas, a Aeris segue apostando na diversificação de receitas, com crescimento no segmento de serviços e manutenção, e um avanço relevante nas exportações, que ganharam peso relevante na receita do último trimestre de 2024.
Já a notícia de que a GE Vernova vai encerrar as operações da fábrica de pás eólicas de sua subsidiária LM Wind Power em Suape (PE), devido à queda na demanda no mercado latino-americano, pode ser positiva para a Aeris, que fica como única fabricante deste tipo de equipamento no Brasil.