Publicidade
Capa / Econômia

Mensagens obtidas pela PF mostram preocupação em como lavar dinheiro das emendas | Política

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 13/02/2025 às 12:32 · Atualizado há 1 semana

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostram que pessoas ligadas ao Hospital Ana Nery, em Santa Cruz do Sul (RS), pediram ajuda para saber como seria a melhor forma de lavar o dinheiro desviado das emendas parlamentares.

A PF deflagrou, nesta quinta-feira (13), a operação "EmendaFest", que mira o esquema. Um dos alvos é Lino Rogério da Silva Furtado, assessor do deputado Afonso Motta (PDT-RS).

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o relator do caso. Ele afirma, no documento, que o relatório da PF, "ao longo de mais de 100 páginas", traz a transcrição de conversas pelo WhatsApp e até o contrato em que ficou acertado como contrapartida o pagamento de "comissão" de seis por cento sobre o valor captado das emendas.

Um dos exemplos citados pelo ministro é uma conversa entre o lobista Cliver Fiegenbaum e Leandro Diedrich, que também foram alvos da operação desta quinta-feira.

"No dia 04 de março de 2024, Leandro pede auxílio a Cliver para ele e para Célcio sobre como seria a melhor forma de proceder com relação à 'lavagem' de valores. Comenta que o salário é menor do que o ganho real (o qual inclui a porcentagem das captações) e acrescenta que 'ficaria igual meio suspeito' viver a vida apenas com 'dinheiro vivo', que teria interesse em adquirir um terreno, mas que não saberia como declarar o bem'", diz um trecho do relatório da PF reproduzido na decisão.

Em seguida, a resposta de Fiegenbaum é apagada, mas a PF afirma que, "com base no restante da conversa, sugere-se que uma das possibilidades para 'lavagem' de valores seria por meio da emissão de Notas Fiscais".

O ministro também descreve um áudio de 2024 que teria sido mandado pelo lobista ao assessor do deputado, que fala em continuar a parceria "ano que vem". "Os pequenos eu posso complementar e botar mais 10 em cima. Pra tu confiar na parceria e eu quero continuar com a tua parceria ano que vem. (...) Então tu tem que ver, era 400, faltou 15, te levo mais, mais 25. Isso eu tenho do meu, aí eu nem envolvo ninguém, porque eu não quero estragar a parceria e tu vai ver que nós não vamos ratear contigo."

Em nota, o Hospital Ana Nery disse que "reafirma seu compromisso com a transparência, a integridade e o pleno cumprimento das normas legais". A instituição afirmou ainda que "tem prestado total colaboração às autoridades, fornecendo prontamente todos os documentos solicitados e colocando-se à disposição para contribuir com o esclarecimento dos fatos".

"O Hospital Ana Nery reitera seu compromisso com a ética e a legalidade e seguirá colaborando com as investigações para que sejam conduzidas com a máxima celeridade e transparência", declarou.

A reportagem tentou contato com o deputado Afonso Motta e o PDT, mas não obteve retorno. Os demais citados não foram localizados.

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade