Oficiais de alto escalão dos EUA, incluindo o vice-presidente e o secretário de Defesa, compartilharam acidentalmente com um jornalistas detalhes ultraconfidenciais dos ataques militares no Iêmen na semanada passada em um grupo de mensagens não oficial, em uma grave violação de segurança que veio a tona nesta segunda-feira (24).
A violação de segurança, confirmada pelo governo americano, ocorreu após Jeffrey Goldberg, editor-chefe da revista “The Atlantic”, ter sido adicionado por engano a um chat na plataforma de conversas “Signal” pelo conselheiro de Segurança Nacional Mike Waltz, antes dos ataques da semana passada contra os rebeldes houthis.
O vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Defesa Pete Hegseth estavam entre os membros de um grupo, que discutiu detalhes operacionais da ação militar mais significativa realizada pelo presidente Donald Trump desde seu retorno à Casa Branca, criticando os aliados europeus por "se aproveitarem" dos EUA.
Uma reportagem de Goldberg publicada nesta segunda-feira revelou uma descrição das mensagens do grupo, que expressavam desprezo pelos aliados europeus e sugeriam pedir-lhes para financiar a operação. A veracidade da conversa foi confirmada pelo Conselho de Segurança Nacional (NSC, na sigla em inglês).
"Neste momento, a thread de mensagens que foi reportada parece ser autêntica, e estamos analisando como um número inadvertido foi adicionado à cadeia", disse o porta-voz do NSC, Brian Hughes. O Signal não é aprovado pelo governo dos EUA para compartilhar informações confidenciais.
Segundo Goldberg, Vance sugeriu que a ameaça dos houthis fosse mais uma questão europeia, já que apenas uma pequena fração do comércio dos EUA passava pelo Canal de Suez. Ele expressou preocupações de que o ataque dos EUA fosse um "erro" que arriscava uma "alta nos preços do petróleo" enquanto "salvava a Europa".
Vários membros do grupo sugeriram que a Europa poderia ser solicitada a compensar os EUA pelos ataques. Waltz disse que estava trabalhando com departamentos governamentais "para determinar como compilar o custo associado e repassá-los aos europeus".
Outro colaborador, que parecia ser o vice-chefe de gabinete de Trump, Stephen Miller, sugeriu: "Se os EUA restaurarem com sucesso a liberdade de navegação a um alto custo, deve haver algum ganho econômico adicional extraído em troca."
Hegseth, ex-apresentador da Fox News, escreveu que compartilhava do "desprezo" do vice-presidente pela "exploração europeia".
Trump disse a repórteres na segunda-feira que não sabia "nada sobre" o chat vazado antes de atacar o veículo que publicou a história. "Não sou um grande fã de The Atlantic, para mim é uma revista que está indo à falência. Acho que não é muito uma revista."
As mensagens causaram um grande alvoroço na capital dos EUA, com políticos democratas criticando o governo Trump por "incompetência".
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