Com a agenda de indicadores esvaziada nesta terça-feira, os investidores acompanham o discurso da vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve, Michelle Bowman, que na última reunião foi uma das dissidentes ao defender corte de juros. No Brasil, a tensão com os Estados Unidos também orienta os mercados, após Washington rebater a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de que leis e ordens judiciais estrangeiras não têm validade imediata no país. O governo americano afirmou que nenhum tribunal estrangeiro pode anular sanções impostas pelos EUA e criticou novamente o ministro Alexandre de Moraes.
No exterior, os mercados obvervam os desdobramentos das negociações para o fim da guerra na Ucrânia, após o encontro em Washington entre Donald Trump, Volodymyr Zelensky e líderes europeus. O presidente americano afirmou que iniciou tratativas para organizar uma reunião entre Zelensky e Vladimir Putin, em local ainda indefinido. Diante dos esforços de paz, o petróleo recua no mercado internacional e as ações europeias avançam nesta manhã.
Por volta das 8h, o futuro do petróleo tipo Brent para em outubro cedia 1,14%, cotado a US$ 65,77 por barril. Na Europa, o Stoxx 600 avançava 0,46%, enquanto o CAC 40, em Paris, subia 0,77%. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq caíam 0,10%.
Por aqui, os agentes observam a participação do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, na 26ª Conferência Anual Santander, após novos ruídos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos afetarem os mercados locais na sessão de ontem. A piora na percepção de risco resultou em uma forte alta dos juros de longo prazo e no retorno do dólar à casa dos R$ 5,43.
A decisão de Dino levou o mercado a ver a ação como uma possível suspensão dos efeitos da Lei Magnitsky. O movimento reforçou prêmios de risco nos ativos domésticos diante do temor de uma escalada adicional nas já delicadas relações diplomáticas entre os dois países.
Além disso, o governo brasileiro respondeu ponto a ponto os itens citados na investigação aberta contra o país pelo Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês). O país afirma não adotar políticas discriminatórias, injustificáveis ou restritivas ao comércio com os EUA, e considera as acusações improcedentes e baseadas em premissas inverídicas.
O destaque positivo ficou para o Ibovespa, que subiu 0,72%, aos 137.322 pontos, embora tenha encerrado o pregão distante das máximas do dia, refletindo a leitura dos investidores sobre a decisão de Dino.