A semana começa com a chance de uma continuidade da piora nos ativos domésticos, após as medidas de ajuste fiscal frustrarem os participantes do mercado. Com o dólar a R$ 6 e os juros futuros próximos a 14%, os agentes econômicos permanecem atentos ao Boletim Focus e à palestra do futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na manhã desta segunda-feira.
Mesmo depois de o dólar atingir o patamar de R$ 6 e os juros futuros se acomodaram próximos aos 14%, profissionais consultados pelo Valor afirmam que níveis mais elevados para o dólar não estão descartados, assim como a necessidade de uma Selic maior à frente.
Drausio Giacomelli, estrategista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank, diz que os ativos brasileiros reagiram às medidas que podem piorar o quadro fiscal brasileiro, ainda mais com a ampliação da isenção do Imposto de Renda. “Foi a confirmação de que não tem ajuste fiscal relevante no horizonte, com dívida próxima de 80% do PIB e déficit fiscal próximo de 10% do PIB, o que só se encontra em países em guerra”, destaca.
A deterioração nos mercados locais na sexta-feira só não foi pior devido à indicação dos novos diretores do Banco Central (BC), que ajudou a retirar incertezas sobre o novo Comitê de Política Monetária (Copom). O novo diretor de política monetária deverá ser Nilton David, atual chefe de operação da tesouraria do Bradesco, nome considerado técnico e muito bem recebido pelo mercado.
Ainda assim, o cenário doméstico difícil soma-se à ameaça tarifária de Donald Trump contra os países do Brics, caso o bloco econômico crie uma nova moeda para rivalizar com o dólar, que volta a se fortalecer globalmente. A retórica de “America first” de Trump também provoca alta no rendimento dos Treasuries nesta manhã. Já a turbulência política da França, com a ameaça do partido de extrema-direita de derrubar o governo por conta de um impasse sobre o orçamento, acaba pesando sobre o euro.
Por outro lado, os sinais de crescimento da atividade industrial chinesa e a alta do minério de ferro em Dalian podem favorecer ações de mineradoras e siderúrgicas no Ibovespa, que retomou os 125 mil pontos na sexta-feira.