Dias após ser capturado em uma casa segura em Caracas, o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro se encontra em um ambiente bem menos hospitaleiro: uma prisão no Brooklyn, onde provavelmente ficará confinado em uma cela por 23 horas por dia, condições que Sean "Diddy" Combs e Ghislaine Maxwell classificaram como desumanas.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, enfrentam acusações de tráfico de drogas nos Estados Unidos após serem capturados em uma dramática operação policial durante a madrugada de sábado (03).
Eles foram transportados para um navio da Marinha dos EUA, levados de avião para os Estados Unidos e, na noite de sábado, transferidos para o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn. Tanto Maduro, de 63 anos, quanto sua esposa, de 69, devem comparecer ao tribunal federal de Manhattan nesta segunda-feira (05).
Fundado em 1994, o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn (MDC Brooklyn) abriga cerca de 1.300 homens e mulheres e é atualmente a única prisão para detentos aguardando julgamento federal na cidade de Nova York.
Entre os antigos detentos, figuram nomes como Maxwell, o magnata do hip-hop Combs, e Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras, condenado por tráfico de drogas e perdoado em dezembro pelo presidente Donald Trump. Luigi Mangione, que se declarou inocente do assassinato de um executivo do UnitedHealth Group, está atualmente preso aguardando julgamento.
A prisão tem sido assolada por condições desumanas e insalubres, segundo relatos de detentos e advogados de defesa.
Em 2019, alguns detentos do MDC Brooklyn foram deixados em celas geladas após um incêndio elétrico interromper o fornecimento de energia e aquecimento no meio do inverno.
Em 2024, dois homens foram assassinados por outros detentos com armas improvisadas, de acordo com o Departamento de Justiça americano, o que levou a uma repressão à violência e ao contrabando na unidade.
Maxwell, que estava detida no MDC Brooklyn antes de sua condenação em 2021 por ajudar Epstein a abusar sexualmente de meninas menores de idade, reclamou de esgoto a céu aberto e fezes de vermes em sua cela.
O Departamento Penitenciário Federal dos EUA, divisão do Departamento de Justiça que administra o MDC Brooklyn, não respondeu a um pedido de comentário. Mas a agência afirmou em um relatório de setembro de 2025 que as condições da prisão melhoraram devido ao aumento do número de funcionários e outras reformas.
Mitchell Epner, ex-procurador federal que agora atua na área de defesa criminal, disse que todos os presos no MDC Brooklyn enfrentam algum risco de violência por parte de outros detentos. Esse risco é maior com alguém como Maduro, que poderia ser alvo de uma gangue ou de um preso que queira construir uma reputação por meio de um "ataque de lobo solitário", disse Epner.
Cameron Lindsay, ex-diretor do MDC Brooklyn que atua como testemunha especializada, afirmou que o Departamento Penitenciário Federal provavelmente manterá Maduro separado dos outros detentos e examinará cuidadosamente os funcionários que interagem com ele.
"É uma conjectura da minha parte, mas eu esperaria que ele fosse colocado em uma cela em um andar sozinho", disse Lindsay. "Esta é obviamente uma operação extremamente sensível e de alta segurança."
Lindsay disse que Maduro provavelmente ficará confinado 23 horas por dia, com as refeições entregues em sua cela e uma hora reservada para exercícios em uma pequena área cercada. Ele provavelmente terá acesso a um chuveiro três vezes por semana, acrescentou Lindsay.
O ex-diretor disse que a esposa de Maduro provavelmente receberá o mesmo tratamento.
Combs, condenado em julho por duas acusações de transporte para fins de prostituição, dormia a menos de 60 centímetros de outros detentos em um dormitório durante sua estadia no MDC Brooklyn. O banheiro, sem porta, ficava na mesma sala.
Em um determinado momento durante o encarceramento de Combs, os guardas impediram alguém de cortá-lo com uma faca improvisada, disseram seus advogados.
Em 2024, o juiz distrital Jesse Furman, de Manhattan, recusou-se a ordenar a detenção preventiva de um homem acusado de crimes relacionados a drogas no MDC, classificando as condições do local como uma "tragédia contínua".
Mas, em uma audiência em outro caso, em maio de 2025, Furman afirmou que as condições haviam melhorado "muito" desde sua decisão de 2024, devido ao aumento do número de funcionários.
Em seu relatório de setembro, o Departamento Penitenciário Federal afirmou que "houve uma diminuição substancial da violência" no MDC Brooklyn e que o número de detentos caiu de cerca de 1.600 para aproximadamente 1.300.
No mesmo mês em que divulgou essas estatísticas, o Departamento de Justiça anunciou acusações criminais contra 25 pessoas relacionadas à violência e ao contrabando no MDC Brooklyn.
Em um dos casos, um ex-agente penitenciário foi acusado de contrabandear sacos selados a vácuo contendo maconha e cigarros, escondidos sob o colete à prova de balas fornecido pelo Departamento Penitenciário.
Em outro caso, um suposto membro de gangue foi acusado de esconder bisturis de cerâmica, que podem ser usados como armas, em um pacote de Doritos enquanto estava na sala de visitas do MDC Brooklyn, para distribuí-los aos detentos.
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Fonte: Agências