Publicidade
Capa / Econômia

Lula fala em ‘tirania do veto’ na ONU diante de ‘matança indiscriminada’ em Gaza | Brasil

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 22/09/2025 às 18:24 · Atualizado há 8 horas
Lula fala em ‘tirania do veto’ na ONU diante de ‘matança indiscriminada’ em Gaza | Brasil
Foto: Reprodução / Arquivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a acusar o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), nesta segunda-feira (22), de se omitir diante do genocídio praticado por Israel na Faixa de Gaza, território reivindicado pelos palestinos. Na avaliação de Lula, o poder de veto dos países que ocupam assento no Conselho de Segurança acaba por representar uma tirania que sabota a razão de existir da própria ONU.

Lula sugeriu que a Assembleia-Geral das Nações Unidas exerça "sua autoridade" e dê respaldo para a criação de um órgão que interfira no conflito. Como exemplo, Lula citou o caso de um comitê criado na época do apartheid, como é conhecido o sistema de segregação racial e discriminação institucionalizada que imperou na África do Sul entre 1948 e 1994.

"O conflito entre Israel e Palestina é símbolo maior dos obstáculos enfrentados pelo multilateralismo. Ele mostra que a tirania do veto sabota a própria razão de ser da ONU, de evitar que atrocidades como as que motivaram sua fundação se repitam. Também vai contra sua vocação universal bloqueando a emissão como membro pleno de um Estado cuja criação deriva da autoridade da própria Assembleia Geral", disse Lula. "Diante da omissão do Conselho de Segurança, a Assembleia Geral precisa exercer sua responsabilidade. Apoiamos a criação de um órgão inspirado no Comitê Especial Contra o Apartheid, que teve um papel central no fim do regime de Segurança Pública", emendou o presidente brasileiro.

Lula falou sobre o assunto ao participar de uma conferência internacional de alto nível para discutir justamente a situação da Palestina. O evento acontece na sede da própria ONU, em Nova York, local onde amanhã o presidente irá fazer o discurso de abertura da 80ª Assembleia-Geral.

No mesmo discurso, Lula defendeu mais uma vez que o direito de defesa de Israel não pode ser usado como desculpa para o país promover uma "matança indiscriminada de civis" na região. Segundo ele, "não há palavra mais apropriada para descrever o que está ocorrendo em Gaza do que genocídio".

"Um Estado se assenta sob três pilares: o território, a população e o governo. Todos têm sido sistematicamente solapados no caso palestino. Como falar em território diante de uma ocupação ilegal que cresce a cada novo assentamento? Como manter uma população diante da limpeza étnica a que assistimos em tempo real? E como construir um governo sem empoderar a autoridade palestina? Os atos terroristas cometidos pelos Hamas são inaceitáveis. O Brasil foi enfático ao condená-los. Mas o direito de defesa não autoriza a matança indiscriminada de civis", argumentou Lula.

O presidente brasileiro deu a entender também que o governo de Benjamín Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, está tentando promover um aniquilamento da possibilidade de a Palestina conseguir viabilizar seu território e o "direito de existir". Sobre isso, Lula comemorou o fato de "a imensa maioria" dos membros da ONU já reconhecem a existência do Estado palestino.

Ontem, após Reino Unido, Canadá e Austrália reconhecerem formalmente o Estado palestino, Netanyahu declarou que “não haverá Estado palestino”.

"O que está acontecendo em Gaza não é só o extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilamento de seu sonho de nação. Tanto Israel quanto a Palestina têm o direito de existir. Trabalhar para efetivar o Estado palestino é corrigir uma simetria que compromete o diálogo e obstrui a paz. Saudamos os países que reconheceram a Palestina, como o Brasil fez em 2010. Já somos a imensa maioria dos 193 membros da ONU", citou.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Adriano Machado/Reuters

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade