O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu hoje que o pacote de corte de gastos do governo, em elaboração pela equipe econômica, pode estar condicionado a uma contribuição de deputados e senadores, no que se refere à redução do orçamento previsto para emendas parlamentares, e de empresários que “vivem de subsídios” da União.
“O Congresso vai aceitar reduzir as emendas para contribuir com o ajuste fiscal que eu vou fazer? Não é só tirar do Orçamento do governo. Os empresários que vivem de subsídio do governo, vão aceitar abrir mão um pouco para a gente poder equilibrar a economia brasileira? Eu não sei se vão aceitar”, afirmou Lula durante entrevista concedida à emissora RedeTV nesta manhã.
Segundo o presidente, esse debate seria um dos motivos pelo atraso na divulgação do pacote em si. Além disso, o presidente disse que o mercado financeiro e a imprensa brasileira fazem “hipocrisia” com este tema.
“A gente ainda não concluiu o pacote [de corte de gastos]. Eu estou num processo de discussão muito sério com o governo porque eu conheço o discurso do mercado [financeiro]. Conheço a gana especulativa do mercado e eu acho que o mercado age com certa hipocrisia para tentar criar confusão na cabeça da sociedade”, afirmou.
Ao longo da semana, ministros participaram de reuniões no Palácio do Planalto para discutir os cortes. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou hoje que os titulares das pastas estão muito “conscientes” da necessidade de reforçar o arcabouço fiscal.
Na entrevista, Lula insistiu que os ajustes não podem penalizar os mais pobres. “Nós não podemos mais jogar, toda vez que é preciso cortar alguma coisa, em cima do ombro das pessoas mais necessitadas. Se eu fizer um corte de gastos para diminuir a capacidade de investimento do Orçamento, eu quero saber o seguinte: o Congresso vai aceita reduzir as emendas de deputados e senadores?”, questionou o presidente.