O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (6), durante a abertura da 1ª sessão plenária da Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro, que o multilateralismo está "sob ataque", o que coloca a "autonomia" dos países emergentes em "xeque". Diante desse cenário, Lula afirmou que algumas conquistas do comércio internacional e do regime de clima estão "ameaçadas".
"Com o multilateralismo sob ataque, nossa autonomia está novamente em xeque. Avanços arduamente conquistados, como os regimes de clima e comércio, estão ameaçados", ponderou o presidente, diante dos outros chefes de Estado.
Sobre este tema, o presidente brasileiro criticou o que chamou de "investidas" contra o sistema global de saúde. Na avaliação dele, estão sendo feitas "exigências absurdas" na questão da propriedade intelectual, o que restringe o acesso aos medicamentos no mundo.
"Na esteira da pior crise sanitária em décadas, o sistema de saúde global é alvo de investida sem precedentes. Exigências absurdas sobre propriedade intelectual ainda restringem o acesso a medicamentos. O direito internacional se tornou letra morta, juntamente com a solução pacífica de controvérsias", disse.
Por fim, o presidente convocou o grupo do Brics a lançar bases para uma "governança revigorada". Na avaliação de Lula, a "diversidade" e "representativade" do bloco dão legitimidade para que esse conjunto de países proponha uma "nova realidade multipolar".
"Se a governança internacional não reflete a nova realidade multipolar do século XXI, cabe ao Brics contribuir para sua atualização. Sua representatividade e diversidade o torna uma força capaz de promover a paz e de prevenir e mediar conflitos. Podemos lançar as bases de uma governança revigorada", concluiu.