A desenvolvedora e administradora de galpões logísticos Log CP obteve, no primeiro trimestre, um lucro líquido de R$ 86,4 milhões, avanço de 56,2% sobre o mesmo período de 2024. A receita líquida da companhia somou R$ 55,3 milhões, alta de 2,8%, e a margem bruta atingiu 97,6%, leve aumento de 0,3 ponto percentual no mesmo intervalo.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 63,2% em um ano, para R$ 120,8 milhões, com margem de 218,3%, avanço de 80,8 pontos. O Ebitda obtido com a locação e administração de galpões respondeu por R$ 47,8 milhões desse total.
De janeiro a março, a Log CP entregou 102,1 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL), em três ativos – São José dos Pinhais (PR), São Bernardo do Campo (SP) e Cuiabá (MT). Os três estavam 100% pré-locados, com ticket médio de R$ 26,06 ao mês por metro quadrado.
O ticket médio de locação da companhia, em geral, foi de R$ 21,09, alta de 2,3% em um ano. O CEO, Sérgio Fischer, faz a ressalva de que, se não forem considerados os ativos vendidos pela Log CP no ano passado, o valor subiu acima da inflação.
A companhia terminou março com um portfólio de 1 milhão de metros quadrados de galpões, queda de 1,8% sobre o primeiro trimestre de 2024. A vacância estabilizada do portfólio atingiu 1,55%, ante 0,91% há um ano, valor considerado ainda muito baixo.
A Log CP tem um plano de entregar 2 milhões de metros quadrados de ABL até 2028 e já tem 65% dos terrenos necessários para tal, segundo o executivo. A empresa espera entregar mais 323 mil metros quadrados de galpões ainda em 2025.
Menos investimentos e dívida
A despesa com investimentos (“capex”) foi de R$ 171,8 milhões no trimestre, alta de 8,7% em um ano, mas o menor volume desde então. Segundo Fischer, a postura mais “conservadora” deve ser mantida enquanto a empresa não concluir a venda dos ativos que estão em negociação.
“Temos muitas conversas em andamento com fundos imobiliários, investidor institucional”, afirma, e há chances de vendas no segundo trimestre, o que não aconteceu entre janeiro e março. “Acontecendo isso, vamos selecionar novas obras para entrar no plano de crescimento”, diz.
As vendas feitas em 2024, que somaram R$ 1,5 bilhão, colaboraram para que a dívida líquida ajustada da empresa recuasse 10,8%, para R$ 663,6 milhões. O endividamento, medido pela dívida líquida ajustada sobre o Ebitda, ficou em 1,2 vez, ante 2,7 vezes há um ano.
O segmento de ecommerce é, ao lado do farmacêutico, o principal ocupante dos galpões da empresa — cada um tem 21% de prevalência. São, em geral, empresas estrangeiras, mas a guerra tarifária iniciada pelos Estados Unidos não tem afetado o setor, de acordo com Fischer.
Há clientes que, embora sejam internacionais, já vendem muito mais produtos feitos no Brasil do que importados, o que reduz sua exposição às tarifas.
“Pode ter um impacto positivo no médio a logo prazo, de trazer investimentos para a indústria brasileira, e nossos galpões também atendem à indústria leve”, afirma. Ele compara o momento, “numa razão muito menor”, ao “nearshoring” que ocorreu no México nos últimos anos.
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