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Lotada de deputados, despedida de Lira conta com um único ministro e torcidas divergentes sobre eventual entrada dele no primeiro escalão de Lula | Política

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 01/02/2025 às 13:44 · Atualizado há 10 horas
Lotada de deputados, despedida de Lira conta com um único ministro e torcidas divergentes sobre eventual entrada dele no primeiro escalão de Lula | Política
Foto: Reprodução / Arquivo

Em sua última noite na residência oficial da presidência da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL) ofereceu jantar a deputados de todos os espectros, de PL ao PT, regado a iguarias, vinho e whisky e ao som de música sertaneja. Entre os convidados, apenas um ministro, o correligionário André Fufuca (PP-MA), titular da pasta do Esporte, e figuras ilustres do presente e do passado da Casa, como Hugo Motta (Republicanos-PB), favorito a sucedê-lo no principal cargo na Mesa Diretora, e o polêmico ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que é aliado tanto do alagoano quanto do paraibano.

Além de bolões sobre as chances de Motta bater o recorde de Lira na eleição de 2023 - quando foi reconduzido ao comando da Casa com 464 votos -, convidados se dividiram sobre a eventual ida do parlamentar do PP para um posto no primeiro escalão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Um grupo mais alinhado ao Palácio do Planalto demonstrou entusiasmo com a possibilidade de Lira passar a integrar a Esplanada dos Ministérios, porque isso poderia ajudar na melhora da relação entre Executivo e Legislativo. A leitura é que ele conseguiria defender diretamente ao presidente a necessidade de o governo ouvir o Congresso, respeitar as prerrogativas do Legislativo e garantir o restabelecimento do fluxo de liberação das emendas parlamentares.

Outros já indicam maior resistência e afirmaram que já sugeriram ao próprio Lira que o melhor é ficar no Congresso, porque “o barco já estaria afundando” e que ele só deveria aceitar a missão de ser ministro “se tiver total autonomia para trabalhar”. Esse grupo avalia que, mesmo que fique na Casa, o alagoano não voltará para a planície e terá todo o espaço para construir o caminho de sua candidatura ao Senado em 2026.

Aliados destacaram que o próprio Lira tem destacado, nos bastidores, que não adianta Lula “fazer uma reforma por fazer” e que é preciso uma mudança de comportamento do governo para melhorar o ambiente econômico.

“Concordamos com a leitura dele de que não adianta fazer reforma ministerial, desbloquear emendas e melhorar interlocução com o Congresso. Se não trabalhar para uma melhora da economia urgentemente, vai ter gente na rua daqui a três, quatro meses. Esse clima de reprovação vai sendo sentido e vai estimulando parlamentares a reagirem, impondo derrotas em série para o governo”, pontua um parlamentar prestigiado do Centrão.

Com agenda agitada em função de ser o último dia de campanha, Motta chegou mais tarde, quando a festa já estava mais esvaziada, mas cumprimentou todos os presentes. “O beija mão final”, destacou um importante interlocutor do paraibano.

Apesar do amplo apoio coletado por Motta ao longo dos últimos meses, alguns presentes avaliam que a candidatura de Marcel Van Hattem (Novo-RS) deve atrair apoio de alguns deputados da oposição mais radical e do PL, principalmente por sua defesa do impeachment de Lula e do projeto que busca anistiar participantes dos atos golpistas do 8 de janeiro. Isso, na avaliação do grupo, deve inviabilizar as chances de Motta quebrar o recorde do antecessor.

Outra ala pontuou que é crível que ele supere os 464 votos de Lira de 2023, porque o Legislativo está determinado a enviar um recado ao Executivo e ao Judiciário de que Congresso “nunca esteve tão único para defender suas prerrogativas”, o que seria uma resposta aos bloqueios à liberação de emendas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e às investigações que vem pipocando contra os parlamentares para apurar o suposto mau uso de verbas públicas.

Quando a festa já se encaminhava para o final, Cunha chegou acompanhado da filha, a deputada Dani Cunha (União-RJ). O ex-presidente da Câmara conversou ao pé do ouvido com Lira e Motta por alguns minutos.


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