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Juros futuros têm queda firme com apoio do câmbio | Finanças

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 31/03/2025 às 18:25 · Atualizado há 2 dias
Juros futuros têm queda firme com apoio do câmbio | Finanças
Foto: Reprodução / Arquivo

Os juros futuros encerraram o pregão desta segunda-feira (31) em ritmo firme de queda, com o movimento concentrado nos vértices curtos e intermediários da curva a termo, que devolveram praticamente toda a alta da última sessão, na sexta-feira passada, quando a forte leitura do Caged de fevereiro fez as taxas saltarem.

Hoje, o pregão foi marcado pela baixa liquidez e pela cautela do investidor antes do anúncio de tarifas pelos Estados Unidos. Mesmo assim, o real se valorizou quase 1% ante o dólar, movimento que deu sustentação ao alívio dos prêmios nos juros futuros.

Assim, ao fim do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2026 anotou queda de 15,12%, do ajuste anterior, para 15,015%; a do DI de janeiro de 2027 recuou de 15,05% para 14,93%; a do DI de janeiro de 2029 cedeu de 14,80% a 14,715% e a do DI de janeiro de 2031 caiu de 14,89% a 14,86%.

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) terminaram a sessão em baixa, mas distantes das mínimas intradiárias. A taxa da T-note de dez anos recuou de 4,239% para 4,210%, após tocar a mínima de 4,186%, ainda no começo do dia.

Sem gatilhos domésticos relevantes, o pregão foi marcado por liquidez mais baixa nos contratos de DI, à medida que os investidores aguardam pelo leilão de títulos atrelados à inflação (NTN-B) de amanhã e o anúncio das tarifas americanas contra importações de diversos países na quarta-feira, conforme prometeu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Embora a incerteza quanto à política comercial americana e uma potencial guerra tarifária ainda mais intensa esteja afetando o sentimento por risco do mercado, as taxas domésticas podem ser beneficiadas pela perspectiva de juros menores nos Estados Unidos e no mundo. Conforme destacaram os economistas que participaram da reunião com diretores do Banco Central hoje, as tarifas de Trump têm impactado mais a atividade econômica do que a inflação neste começo de ano, e por isso há agora um viés de baixa nas estimativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Já em relação ao quadro doméstico, a percepção é de que a economia já não mostra sinais tão claros de desaceleração e o PIB deve crescer em torno de 2%, com viés de alta em meio à adoção de medidas de estímulo econômico pelo governo, conforme citaram ao Valor participantes da reunião, ouvidos sob condição de anonimato.

Durante participação em evento do Itaú BBA, o diretor de Política Monetária, Nilton David, reforçou a postura mais conservadora do Copom ao afirmar que, na última reunião do colegiado, havia uma “convicção elevada” de que o ciclo de aumento da Selic não acabou, o que justificou a inclusão do “forward guidance” (orientação futura, em tradução livre) no comunicado.

Para participantes do mercado, os comentários do diretor apenas refletiram o tom da comunicação recente do Copom, e por isso não instigaram qualquer reação relevante dos juros futuros. Segundo eles, o mercado ficou mais alinhado hoje com o movimento externo e, depois, com a taxa de câmbio. A queda de quase 1% do dólar no mercado à vista contrariou o movimento da maior parte das divisas pares do real e se deu no dia da formação da taxa Ptax de fim de mês.

— Foto: Dimitri K/Pixabay

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