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Janela de oportunidade para captação de recursos hoje não é favorável, diz presidente da Gol | Empresas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 15/04/2025 às 13:32 · Atualizado há 2 dias
Janela de oportunidade para captação de recursos hoje não é favorável, diz presidente da Gol | Empresas
Foto: Reprodução / Arquivo

O prazo para a companhia aérea Gol sair da recuperação judicial nos Estados Unidos, previsto para junho deste ano, pode ser postergado se a empresa não encontrar uma janela de oportunidade até meados de maio para captar os recursos necessários. A companhia precisa garantir junto a investidores o total de US$ 1,9 bilhão para sair da recuperação. Esta é a última etapa do plano.

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Segundo Celso Ferrer, presidente da Gol, até agora, a empresa conseguiu compromissos de US$ 1,25 bilhão, porém, sem o US$ 0,65 bilhão restante não será possível sair da recuperação, conforme determina o “Chapter 11” da lei de falências americana.

No último mês, o mercado financeiro passou por momentos de alta volatilidade, em grande parte reflexo da guerra tarifária que o presidente americano, Donald Trump, instaurou com vários países, o que trouxe instabilidade e incerteza.

“Com uma dívida grande como a de US$ 1,9 bilhão, precisamos encontrar as janelas de oportunidade no mercado financeiro”, comentou Ferrer, em evento com jornalistas no centro de manutenção da Gol em Confins, em Belo Horizonte (MG), nesta terça-feira (15).

Ferrer reiterou que não é um momento propício porque os investidores também se fecham para esperar um momento de maior previsibilidade — necessária para medirem o risco dos investimentos.

Depois de passar um período de forte valorização do dólar no fim do ano passado, a companhia, disse o executivo, voltou a fazer o roadshow para captação no fim de janeiro e fevereiro, mas foi surpreendida com a volatilidade mais recente.

“Os bonds [títulos de dívida] de uma companhia aérea levam em consideração a empresa em si, mas também ela em comparação ao mercado. E ter uma dívida crescente [com volatilidade e dólar valorizado] não é o melhor cenário sob o olhar dos investidores. O mercado está super volátil”, afirmou.

Ao ser questionado pelo Valor sobre se haverá atraso no cronograma estimado de saída do Chapter 11, Ferrer disse que, se a companhia conseguir captar até meados de maio, ainda será possível manter a previsão para junho. Se o mercado não ajudar, contudo, pode ser postergada. “Vamos ficar com tudo pronto para, quando tiver a janela, vamos aproveitar”.

Ferrer também pontuou que o Chapter 11 não é “um calendário fixo e rígido”. “Os 18 meses [de prazo estimado] foram pensados ao olhar para o que precisávamos fazer. Primeiro, a reestruturação de frota, que levou seis a sete meses e já foi concluída, e o período para montar plano de suporte financeiro com a Abra [holding da Gol] e os credores”, comentou.

Ele lembrou ainda que a empresa fez seu dever de casa até agora, inclusive renegociando os contratos, sendo o último uma revisão de uma série de condições com a Boeing para manter um plano de recuperação e voltar ao crescimento, como prometido aos credores.

Com relação às conversas para a combinação das operações da Gol com Azul, lideradas pela Abra, acionista da Gol, o presidente da Gol comentou que, sobre o memorando de entendimento, “não há a possibilidade de mexer com Azul e Gol enquanto a Gol estivesse no Chapter 11. Poderia ter muita especulação, como, por exemplo, esta questão do ‘exit finance’. Não há a possibilidade de acordo antes [de saírem da recuperação].”

O CEO comentou que foi fechado um compromisso com os credores para garantir um plano de crescimento e sustentabilidade financeira da empresa. “A Abra só vai nesta direção [de crescimento, para dar seguimento a um acordo com a Azul] e a Gol só vai topar se for algo melhor que nosso plano”, afirmou.

Com relação ao risco de imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos à Embraer, o que daria a possibilidade de o governo brasileiro revidar e, com isso, também impor tarifas aos fabricantes estrangeiros, como a Boeing, de quem a Gol compra suas aeronaves, Ferrer comentou que ainda não é possível prever os impactos neste sentido do "tarifaço" de Trump.

Contudo, ele ressaltou que a instabilidade comercial internacional preocupa, à medida que a cadeia de suprimentos de aviação é descentralizada. “Me preocupa muito tudo que está acontecendo no sentido de que temos fornecedores em vários países. Alguns fornecedores centrais, por exemplo, têm operações em 20 países”, disse o CEO da Gol. Segundo Ferrer, para ter uma dimensão exata do impacto, seria necessário fazer um cruzamento de dados de todas essas mudanças tarifárias, que é complexo.


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