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Israel mata pelo menos 18 em Gaza, e enviado dos EUA visita protesto de famílias de reféns | Mundo

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 02/08/2025 às 10:35 · Atualizado há 15 horas
Israel mata pelo menos 18 em Gaza, e enviado dos EUA visita protesto de famílias de reféns | Mundo
Foto: Reprodução / Arquivo

Hospitais em Gaza relataram que mais de uma dúzia de pessoas, oito delas enquanto procuravam por comida, morreram por fogo israelense neste sábado (2), enquanto os palestinos enfrentam graves riscos em sua busca por alimentos em meio a lançamentos aéreos e restrições na distribuição de ajuda por terra.

Perto de um centro de distribuição da Fundação Humanitária de Gaza (FHG), Yahia Youssef, que foi ao local em busca de ajuda na manhã deste sábado, descreveu uma cena de pânico que agora é tristemente familiar. Após ajudar a mover três pessoas feridas por disparos, ele disse que olhou ao redor e viu muitas outras caídas no chão, sangrando.

"É a mesma coisa todos os dias", afirmou Youssef.

Em resposta a perguntas sobre vários testemunhos de violência no mais setentrional dos quatro centros do contratante americano apoiado por Israel, o escritório de imprensa da FHG indicou que "nada (ocorreu) em ou perto de nossos locais".

O incidente ocorreu um dia depois que funcionários dos Estados Unidos visitaram um centro e o embaixador de Washington em Israel, Mike Huckabee, classificou a distribuição realizada pela FHG como "uma façanha incrível". A indignação internacional aumentou à medida que os esforços do grupo para entregar ajuda à faminta população de Gaza foram ofuscados pela violência e pela polêmica.

“Não estávamos perto deles (os soldados) e não havia nenhuma ameaça”, contou Abed Salah, um homem de cerca de 30 anos que fazia parte da multidão perto do local da FHG, próximo ao corredor de Netzarim. “Escapei da morte por um milagre”.

O perigo enfrentado por aqueles que buscam ajuda em Gaza agravou o que especialistas internacionais em fome classificaram esta semana como o “pior cenário de fome” no sitiado enclave palestino. A ofensiva militar lançada por Israel contra o Hamas há quase 22 meses abalou a segurança no território de cerca de dois milhões de habitantes, tornando quase impossível a distribuição de alimentos de forma segura para quem precisa.

Sete palestinos morreram por causas relacionadas à desnutrição na Faixa de Gaza nas últimas 24 horas, relatou o Ministério da Saúde do território neste sábado.

Uma dessas vítimas era uma criança, segundo o comunicado, elevando para 93 o total de mortes de menores por causas relacionadas à desnutrição no território desde o início da guerra. Além disso, explicou que 76 adultos morreram por causas relacionadas à desnutrição desde o final de junho, quando essa contagem começou.

Entre 27 de maio e 31 de julho, 859 pessoas perderam a vida nas imediações dos centros da Fundação, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado na quinta-feira. Centenas de outras morreram ao longo das rotas percorridas pelos comboios de alimentos.

Israel e a FHG sustentam que realizaram apenas disparos de advertência e que o número de vítimas foi exagerado.

A FHG diz que seus contratados armados usaram apenas spray de pimenta ou fizeram disparos de advertência para evitar aglomerações mortais. O exército de Israel, por sua vez, indicou que só usa disparos de aviso contra aqueles que se aproximam de suas tropas, embora na sexta-feira tenha dito que estava trabalhando para melhorar a segurança das rotas que controla.

Segundo autoridades de saúde de Gaza, pelo menos 18 palestinos morreram neste sábado devido a ataques aéreos e disparos israelenses, incluindo três cujos corpos foram levados das imediações de um ponto de distribuição de ajuda para um hospital no centro do território, junto com outras 36 pessoas que ficaram feridas.

Dez das vítimas de sábado morreram em ataques no centro e no sul de Gaza, apontaram os funcionários. O Hospital Nasser disse que recebeu os corpos de cinco vítimas de duas operações independentes em tendas para deslocados. Entre os mortos estão dois irmãos e um parente, que morreram quando um ataque atingiu sua tenda perto de uma rua principal na cidade de Khan Yunis.

O serviço de ambulâncias e emergências do Ministério da Saúde do território indicou que uma operação israelense atingiu uma casa de família em uma área entre as cidades de Zawaida e Deir al-Balah, matando os dois pais e seus três filhos.

Outro ataque aéreo atingiu uma tenda montada perto do portão de uma prisão fechada que servia de abrigo para deslocados em Khan Yunis, matando uma mãe e sua filha, acrescentou.

O hospital informou que as forças israelenses mataram outros cinco palestinos que esperavam na multidão perto do recém-construído corredor de Morag, em Rafah, e entre Rafah e Khan Yunis.

O exército de Israel não respondeu a perguntas sobre os ataques ou as mortes registradas perto dos centros de distribuição de ajuda. Seu principal comandante militar advertiu neste sábado que "o combate continuará incansavelmente" se os reféns não forem libertados. O tenente-general Eyal Zamir afirmou que o exército se adaptaria para “exercer uma pressão cada vez maior sobre o Hamas”.

Famílias de reféns pedem o fim da guerra

Enquanto isso, em Tel Aviv, familiares de reféns israelenses protestaram e instaram o governo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a se esforçar mais para conseguir a libertação de seus entes queridos, incluindo aqueles que apareceram nas imagens publicadas por grupos insurgentes no início da semana.

O enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Steve Witkoff, juntou-se a eles um dia depois de visitar Gaza e uma semana depois de abandonar as negociações de cessar-fogo no Catar, culpando a intransigência do Hamas e prometendo encontrar outras formas de libertar os reféns e tornar Gaza segura.

Das 251 pessoas que foram sequestradas no ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, acredita-se que cerca de 20 ainda estejam vivas na Faixa de Gaza. O Hamas e a Jihad Islâmica — o segundo maior grupo insurgente do território — publicaram vídeos separados de reféns esta semana, o que indignou as famílias dos cativos e a sociedade israelense.

A mídia israelense não exibiu as gravações, que classificou como propaganda, mas a família de Rom Braslavski, de 21 anos, permitiu a publicação de uma fotografia em que ele aparece visivelmente abatido em um local desconhecido. Após ver o vídeo, sua mãe, Tami Braslavski, culpou os altos funcionários israelenses e exigiu que se reunissem com ela.

“Destruíram meu filho, eu o quero em casa agora mesmo”, declarou Braslavski ao Ynet na quinta-feira. “Olhem para ele: magro, fraco, chorando. Todos os seus ossos são visíveis.”

As famílias dos reféns e seus apoiadores que protestavam em Tel Aviv pediram ao governo israelense que chegue a um acordo para encerrar a guerra, implorando para que “parem este pesadelo e os tirem dos túneis”.

“Façam a coisa certa e façam agora”, disse Lior Chorev, diretor de estratégia do Fórum de Famílias de Reféns.

Mais lançamentos aéreos apesar de seu impacto limitado

Para contornar as restrições aos caminhões que entram em Gaza com ajuda, mais países se juntaram à coalizão liderada pela Jordânia que organiza o lançamento de pacotes pelo ar.

Além de Israel, vários países europeus anunciaram esta semana sua intenção de se juntar à iniciativa, embora a maioria reconheça que a estratégia é claramente insuficiente.

"Se há vontade política para permitir os lançamentos aéreos, que são muito caros, insuficientes e ineficazes, deveria haver uma vontade política semelhante para abrir as passagens terrestres", escreveu Philippe Lazzarini, chefe da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinos, no X (antigo Twitter) neste sábado. "Vamos voltar ao que funciona e nos deixem fazer nosso trabalho."

A guerra em Gaza começou quando o Hamas atacou o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, matando cerca de 1.200 pessoas, a maioria civis. Israel respondeu com uma ofensiva que tirou a vida de mais de 60.000 palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que não distingue entre vítimas combatentes e civis e opera sob o governo do Hamas. A ONU e outras organizações internacionais a consideram a fonte mais confiável de dados sobre vítimas.

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