O Exército de Israel informou ter interceptado nesta quarta-feira (8) uma nova flotilha que tentava romper o bloqueio marítimo da Faixa de Gaza. Os ativistas que estavam a bordo foram detidos, segundo os organizadores e o Ministério das Relações Exteriores israelense.
Ao todo, 145 ativistas estavam a bordo da flotilha. Há médicos, políticos e três parlamentares turcos. A expectativa é de que eles sejam deportados em breve, de acordo com o ministério. Não há relatos de feridos.
A operação ocorre após quase 450 ativistas, incluindo parlamentares europeus e a ativista Greta Thunberg, terem sido detidos em uma flotilha enquanto tentavam chegar a Gaza com uma quantidade simbólica de ajuda humanitária. Alguns dos ativistas deportados relataram maus-tratos por parte dos guardas israelenses, denúncias que Israel nega.
O bloqueio da passagem para a Faixa de Gaza provocou protestos em várias cidades, nos últimos dias, além de greve de um dia na Itália, em um momento de crescentes críticas à atuação de Israel no território palestino. A ofensiva na guerra contra o Hamas devastou grandes áreas da Faixa e matou milhares de pessoas.
Israel e Hamas participam do terceiro dia de negociações na cidade de Sharm El-Sheikh, no Egito, junto com líderes de alto escalão de delegações internacionais, incluindo Estados Unidos, Catar e Turquia.
Ontem, a guerra entre Israel e Hamas completou dois anos. O grupo terrorista matou 1.200 pessoas e fez 251 reféns no ataque estopim para o início do conflito, em de 7 de outubro de 2023. Israel respondeu lançando uma ofensiva contra o grupo terrorista, que já matou mais de 67 mil pessoas, segundo autoridades de saúde de Gaza.
Uma proposta de 20 pontos apresentada pelo presidente americano, Donald Trump, prevê a criação de um conselho internacional liderado pelo republicano, a entrega de reféns, a não anexação de territórios palestinos por parte de Tel Aviv, a anistia a integrantes do grupo terrorista que entregarem suas armas e a possibilidade de criação de um Estado palestino.
O plano foi apresentado após uma reunião na Casa Branca entre Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Em entrevista coletiva após o encontro, Netanyahu afirmou que aceitou a proposta.
Em resposta, o líder do Hamas afirmou que aceita devolver todos os reféns de Israel em troca do fim da guerra. Apesar disso, acusou o governo israelense de oferecer um acordo com “condições impossíveis” de serem cumpridas.
Netanyahu, por sua vez, destacou que a proposta de Trump contempla os objetivos de Israel em sua guerra contra o Hamas. "Ele trará de volta a Israel todos os nossos reféns, desmantelará as capacidades militares do Hamas, acabará com seu domínio político e garantirá que Gaza nunca mais represente uma ameaça a Israel", disse ele.
O grupo também destacou que concorda em entregar a administração de Gaza a um órgão independente de tecnocratas palestinos, “com base no consenso nacional palestino e no apoio árabe e islâmico”. Conforme previsto no plano de Trump, esse órgão seria supervisionado por um "Conselho da Paz", presidido pelo americano, e que envolveria a participação de outros líderes mundiais, como Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido.
O alto funcionário do Hamas, Mousa Abu Marzouk, disse à Al Jazeera que o grupo não irá se desarmar antes do fim da “ocupação” israelense, acrescentando que as questões sobre o futuro de Gaza devem ser discutidas dentro de um amplo quadro nacional palestino, do qual o Hamas fará parte.