O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Araghchi, discordou do tom da declaração publicada neste domingo (6) pelos chefes de Estado do Brics, grupo que reúne 11 países em desenvolvimento.
O chanceler, que representa o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na cúpula do Rio, escreveu em seu canal no Telegram que a solução de dois Estados, que propõe a criação de um Estado israelense e um palestino como solução para o conflito no Oriente Médio, “não levou a lugar nenhum”.
“Por esta razão, a República Islâmica do Irã expressa sua reserva quanto à inclusão da ideia de dois Estados na declaração final dos chefes de Estado do Brics e registrará essa reserva através do envio de uma nota”, escreveu o ministro.
O chanceler expressou que, na visão iraniana, a solução deveria ser a formação de "um único Estado democrático" no qual os “habitantes originais da Palestina vivam juntos em paz”.
Araghchi também disse que, enquanto “os crimes do regime sionista contra os palestinos não cessarem", a insegurança e a tensão na região continuarão sem que a paz e a estabilidade sejam estabelecidas.
Na declaração da cúpula carioca, os países do Brics condenaram Israel pelos “ataques contínuos” à Faixa de Gaza e pela obstrução de ajuda humanitária no território.
O bloco defendeu a solução de Dois Estados e pediu o fim dos conflitos no Oriente Médio.
Apesar da discordância expressa pelo ministro de Relações Exteriores, o comunicado final foi aprovado por consenso entre todos os países-membros.
Como mostrou o Valor, as negociações para a cúpula deste ano foram especialmente tensas devido aos ataques recentes dos Estados Unidos e Israel ao Irã, convidado a integrar o Brics em 2023 junto com outros países da região.
Nos últimos dias, Teerã vinha resistindo a uma declaração conjunta em que a criação de dois Estados – um israelense e outro palestino – fosse apontada como solução para a crise no Oriente Médio.
O país persa, no entanto, teve dificuldades de sustentar a oposição porque a chamada "two state solution" (solução de dois Estados), no jargão internacional, é aceita por todos os membros do Brics.
O termo apareceu inclusive na declaração da cúpula de 2024, reconhecida pelo Irã, o que abriu um “precedente” para dobrar a posição da delegação iraniana, segundo fontes que participaram das negociações.