Publicidade
Capa / Econômia

Intervenção dos EUA na Venezuela divide redes no Brasil, mas apoio lidera engajamento, apo

O debate sobre a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela mobilizou as redes sociais no Brasil nos primeiros dias do ano e repetiu, no ambiente digital, o...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/01/2026 às 07:26 · Atualizado há 16 horas
Intervenção dos EUA na Venezuela divide redes no Brasil, mas apoio lidera engajamento, apo
Foto: Reprodução / Arquivo

O debate sobre a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela mobilizou as redes sociais no Brasil nos primeiros dias do ano e repetiu, no ambiente digital, o cenário de polarização que marcou as últimas disputas eleitorais no país.

A ação, que culminou com a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, reforçou um quadro de disputa, com vantagem para o grupo a favor da ação quando se analisa o grau de engajamento das publicações.

A conclusão é de um levantamento da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getúlio Vargas (FGV Comunicação), que identificou 4,8 milhões de menções ao assunto no X (antigo Twitter) desde sábado. Desse universo, 240 mil postagens foram analisadas pelos pesquisadores.

O estudo revelou que os perfis críticos à intervenção americana foram levemente mais numerosos (46,5%) do que os favoráveis (45,7%) no X.

O campo a favor da ação comandada por Donald Trump, no entanto, alcançou mais engajamento, com 74% dos compartilhamentos no período. As do campo crítico representaram apenas 25,2%.

O grupo favorável à ação obteve melhores resultados a partir de uma atuação sistemática, intensa e concentrada na própria bolha. Os críticos, por sua vez, mobilizaram um conjunto mais disperso de perfis, apesar do menor engajamento.

A ofensiva dos EUA sobre a Venezuela ampliou os embates entre direita e esquerda e colocou a crise no país vizinho no centro do debate político brasileiro.

A oposição tem usado a ação militar americana para associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ex-ditador da Venezuela. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, possível pré-candidato pelo Republicanos à Presidência, foi uma das lideranças que reforçou a associação em vídeos e nas redes sociais.

Em geral, aqueles perfis que são mais à direita ou antigoverno fizeram logo uma associação de disputa ideológica usando uma questão de geopolítica para fazer uma discussão interna de posicionamento dos campos políticos dentro do Brasil

— explica o doutor em sociologia Marco Ruediger, diretor da FGV Comunicação.

Essas duas narrativas vão competir durante as eleições e se o Lula não fizer uma explícita defesa do Maduro ou do [Hugo] Chávez e colocar como pauta o interesse nacional e a soberania, isso favorecerá muito o governo nas eleições

— avalia Ruediger.

Um outro levantamento, feito pela consultoria Ativaweb e publicado pelo jornal “O Globo”, indica que 56% a 62% das postagens de brasileiros sobre o assunto em diferentes redes sociais foram favoráveis à prisão do líder venezuelano.

Entre 20% e 28% das menções foram contrárias, e 6% a 26% das publicações tiveram teor neutro.

Os dados mostram que o Brasil acumulou nos últimos dias cerca de 2,7 milhões de citações ao assunto, ocupando o sexto lugar no ranking de países que mais comentam sobre o tema nas redes sociais Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube.

A intervenção americana na Venezuela segue como principal pauta política do debate digital, apesar de ter perdido força nos últimos dias, de acordo com a FGV.

Na segunda-feira, publicações sobre a operação no Instagram somavam 5 milhões de interações, uma queda de 75% em relação a domingo. No YouTube, foram contabilizadas 630 mil visualizações sobre o caso até o fim da tarde de segunda, 80% a menos que domingo. No X, a desaceleração foi de 35% em relação ao domingo.

Para o cientista político Josué Medeiros, professor da UFRJ, a crise na Venezuela tende a se prolongar e a direita brasileira vai aproveitar o caso para tentar desgastar o governo Lula até as eleições.

Ele observa que o governo Maduro enfrenta forte rejeição da população brasileira, mas que a figura de Donald Trump também é majoritariamente desaprovada no Brasil.

O tema da soberania nacional é capaz de furar as bolhas e ampliar para o centro. Se o governo Lula conseguir vincular o que Trump está fazendo na Venezuela a uma ameaça aos interesses brasileiros, como fez no caso do tarifaço, pode ganhar politicamente com essa crise

— diz.

Medeiros avalia que uma eventual cooperação do governo federal com os Estados Unidos no combate ao crime organizado também pode trazer ganhos na pauta da segurança pública, vista como o ponto fraco do PT na disputa eleitoral deste ano.

Páginas de sites na internet, mensagens eletrônicas trocadas pelo WhatsApp e postagens nas redes sociais poderão ter a autenticação digital de tabeliães

Debate no ambiente digital repete cenário de polarização que marcou as últimas disputas eleitorais no país

Nova planta de eletrodomésticos de linha branca será inaugurada em julho em Fazenda Rio Grande (PR), na região metropolitana de Curitiba

Por outro lado, na comparação anual, o setor teve um crescimento de 1,10% em relação ao mesmo mês de 2024

Uma tomada militar da Groenlândia pelos EUA causaria ondas de choque na aliança da Otan e aprofundaria a divisão entre Trump e os líderes europeus

O número de desempregados ajustados na Alemanha aumentou em 3 mil em dezembro, de acordo com os dados

Na terça-feira, ganhos generalizados, liderados por ações de tecnologia, impulsionaram os preços em Wall Street a novos recordes

A colunista Dani Jesus responde pergunta de gerente que está lidando com um profissional em sua equipe que não respeita hierarquia

Liberação antecipada de recursos tenta destravar o acordo com o Mercosul; Itália sinaliza voto favorável, e Brasil vê negociação próxima do desfecho

Apesar da expectativa de maior volatilidade com a eleição presidencial, investidores estrangeiros avaliam que a Selic elevada deve sustentar apostas favoráveis ao real na primeira metade do ano

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade