Os interesses da Rússia ficam ameaçados com a situação na Síria e dependem de um acordo com os rebeldes para se manterem, conforme Najad Khouri, especialista em Oriente Médio e fundador do Grupo de Estudos e Pesquisas do Oriente Médio (Gepom).
A Rússia tem o controle de uma base aérea e uma base naval na Síria, importantes para que Moscou projete seu poder sobre o Oriente Médio e o Norte da África. "Os interesses russos certamente estão ameaçados se não chegar a acordo com os rebeldes, que tomaram a conta de Damasco", afirma Khouri.
"A instalação naval de Tartus é o único centro de reparo e reabastecimento no Mediterrâneo da Rússia, e Moscou usou a Síria como um posto de preparação para levar seus empreiteiros militares para dentro e para fora da África", diz o especialista.
"Sair da Síria seria complicado em termos estratégicos. Os rebeldes estão com uma proposta de união na Síria e vão precisar de apoio da Rússia externamente. A Síria está sob sanções americanas. Israel também vai precisar uma certa coordenação interna. O ideal é que haja um acordo com os rebeldes."
Na visão de Khouri, ainda que a guerra na Ucrânia tenha debilitado a atuação russa na Síria, uma vez que retiraram um sistema de defesa da base síria para usar contra os ucranianos, o país ainda é estratégico para Moscou.
Depois da invasão de forças militares rebeldes na capital síria ontem (7), o Ministério de Relações Exteriores da Rússia informou neste domingo (8) que o presidente da Síria, Bashar al Assad, deixou o país e renunciou. Assad era um aliado da Rússia e do Irã, e a derrubada do ditador alimentará outras grandes tensões geopolíticas.
Conforme as agências russas TASS e Interfax, Assad está em Moscou após a fuga.
Para Khouri, ainda que a Rússia tenha ajudado na fuga de Assad, não devem ser impostas novas sanções internacionais sobre o país de Vladimir Putin.
"Rússia não deve sofrer mais sanções ainda que Assad se refugie lá", disse o especialista. "Uma das grandes questões é como os rebeldes vão se organizar para dividir o poder dentro da Síria, que tem quase 30 ou 35 grupos diferentes com ideologias, tamanhos, lealdades e forças distintas, alguns maiores e mais fortes, outros menores e mais fracos", afirma Khouri, que questiona: "Por enquanto os rebeldes estão unidos contra Assad, mas e depois da saída? Vão continuar unidos ou vai ter disputas internas? O que vai acontecer com as forças curdas apoiadas pelos americanos, mas inimigas do Erdogan [presidente turco]?"
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