Embora considere o resultado como estabilidade, o técnico do IBGE destacou que a alta da inflação tem efeito direto em itens da alimentação no domicílio, o que causa impacto negativo sobre as vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que recuaram 0,4% em janeiro ante dezembro, quando já haviam caído 0,4% ante o mês anterior.
Em 12 meses até fevereiro, o IPCA, índice oficial de inflação do país, acumula alta de 5,06%, acima do teto da meta, que é de 4,5%.
"Quando a inflação aumenta, principalmente nos itens de alimentação no domicílio, a gente tende a diminuir volume e receita das empresas desse setor. Tem um fenômeno de inflação que acaba variando ao longo do tempo, mas nesse momento tem uma pressão maior na alimentação do domicílio, o que acaba pegando também o comércio de hiper e supermercados", frisou Santos.
O especialista do IBGE ressalta que a trajetória da taxa de juros vem em um crescente desde o ano passado - a Selic começou a ser elevada em setembro de 2024, quando estava em 10,50% ao ano, passando a 13,25% ao ano em janeiro de 2025 - o que afeta paulatinamente as vendas do comércio, principalmente via crédito.
"Quando aumenta o juro, aumenta a chance de diminuir crédito e, quando faz isso, reduz a disponibilidade de recursos para consumir no varejo", ressaltou.
Santos chamou atenção ainda para o comportamento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, que acumula alta de 14,1% em volume de vendas em 12 meses. Ele lembrou que o pico da série histórica do segmento foi em setembro do ano passado e que, apesar da ainda expressiva alta acumula em 12 meses, o setor está 8% abaixo desse pico.
Só nos últimos três meses, na comparação com o mês imediatamente anterior, houve quedas de 1,7% em outubro, 0,7% em novembro, 2,5% em dezembro e 3,4% em janeiro no segmento.
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