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Inflação dentro da meta? Veja os preços que mais caíram e os que mais subiram...

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Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/01/2026 às 12:32 · Atualizado há 3 horas
Inflação dentro da meta? Veja os preços que mais caíram e os que mais subiram...
Foto: Reprodução / Arquivo
A trajetória da inflação ao longo de 2025 contrariou a maior parte das projeções feitas pelo mercado desde o início do ano. Do lado do agronegócio, safras vieram melhor do que o esperado e eventos climáticos que poderiam afetar as plantações não se concretizaram – o que ajudou a conter a inflação de alimentos. Além disso, a valorização do real frente ao dólar, as políticas comerciais dos Estados Unidos e o nível de juros no Brasil também contribuíram para segurar a inflação ao longo do ano. Um levantamento mostra que metade dos 10 itens que mais ajudaram a conter a inflação pertence ao grupo de alimentos, com destaque para laranja-pera (-27,21%), batata-inglesa (-26,57%) e arroz (-24,24%). A expectativa é que a inflação brasileira encerre o ano dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central, de 4,5%. Inflação dentro da meta? Veja os preços que mais caíram e os que mais subiram em 2025 Nesta semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o número fechado da inflação oficial do Brasil. Mas já se sabe que a trajetória do IPCA ao longo de 2025 contrariou a maior parte das projeções feitas pelo mercado desde o início do ano. No fim de 2024, após um período marcado pela valorização do dólar, impactos climáticos e forte ritmo da atividade econômica, as estimativas dos economistas eram pouco otimistas. Na época, o mercado receava que o Banco Central (BC) não conseguisse conter o embalo da inflação e temia pelas novas políticas do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçava constantemente mudar a dinâmica do comércio global. Esse pessimismo também se refletiu nas projeções: o primeiro Boletim Focus de 2025, por exemplo, estimava inflação próxima de 4,99% e taxa de câmbio em R$ 6 no fim de dezembro. Um levantamento feito pelo economista sênior da 4Intelligence, Fabio Romão, mostra a variação das projeções de inflação ao longo do ano. Entre os nove grupos avaliados, pelo menos quatro registraram queda nas expectativas para 2025 e um se manteve inalterado. “Entre os principais vetores de redução da projeção de inflação está o subgrupo alimentação no domicílio”, diz Romão. Esse subgrupo começou o ano com uma projeção de alta de 5,8%, chegando à previsão de um avanço de 7% no meio do ano. Agora, no entanto, a estimativa é que esses preços fiquem em 2,3% em 2025. Do lado do agronegócio, safras vieram melhor do que o esperado e eventos climáticos que poderiam afetar as plantações não se concretizaram – o que acabou ajudando a conter a inflação de alimentos, que vinha em trajetória de alta desde 2024. “Tivemos boas safras e a gripe aviária, ainda que temporariamente, aumentou a oferta doméstica de proteínas. Com a maior oferta, os preços ficaram mais baratos”, explica Romão. Além disso, a valorização do real frente ao dólar, as políticas comerciais dos EUA e o nível de juros no Brasil também contribuíram para segurar a inflação ao longo do ano. Um levantamento feito pelo FGV Ibre a pedido do g1, mostra que metade dos 10 itens que mais ajudaram a conter a inflação pertence ao grupo de alimentos, com destaque para laranja-pera (-27,21%), batata-inglesa (-26,57%) e arroz (-24,24%). O levantamento considera a variação acumulada entre janeiro e novembro, com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Outro destaque é o grupo de bens duráveis, que inclui itens de valor agregado maior como eletrodomésticos, móveis, equipamentos eletrônicos, entre outros. Esse segmento costuma reagir mais rapidamente ao aumento dos juros e, segundo Braz, registrou recuo médio de 3,5% no período. “Juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a demanda por bens de maior valor e maior prazo de financiamento e pressionam as empresas a concederem descontos para girar os estoques”, explica o coordenador do FGV Ibre. Segundo levantamento da FGV, os serviços livres e os preços monitorados foram os principais responsáveis pela inflação acumulada até novembro. Os especialistas afirmam que o comportamento do mercado de trabalho ao longo do ano explica o movimento. Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego fechou em 5,2% no trimestre encerrado em novembro, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Dessa forma, seis dos 10 itens que tiveram contribuição positiva na inflação são de serviços livres: “Juntos, eles representam 15,8% do orçamento doméstico e registraram uma inflação média de 6,2% entre janeiro e novembro de 2025, acima da meta de 3% estabelecida pelo BC”, diz o coordenador do FGV Ibre. Um caso à parte é o café, que subiu 43,27% no ano até novembro. “Esse aumento é resultado de um choque de oferta, ligado à safra, clima e câmbio, e não às condições de crédito domésticas”, completa Braz. A expectativa é que a inflação brasileira encerre o ano dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central, de 4,50%. Caso se concretize, o número representará uma desaceleração em comparação ao observado em 2024, de 4,83%. Mesmo com a desaceleração nos preços, os brasileiros ainda sentem os preços pesarem no orçamento. Segundo os especialistas, essa percepção está ligada ao forte aumento nos preços dos alimentos nos últimos anos. Segundo Braz, o preço da alimentação em domicílio de 2020 até agora já acumula uma variação muito maior do que a da inflação média. Como os salários são corrigidos pelo IPCA, isso reduziu significativamente o poder de compra das famílias. Em 2026, o Brasil passa por um ano eleitoral, que pode trazer medidas de transferência de renda ou injeção de recursos na economia, aumentando a pressão sobre os preços. Mas outros fatores também devem influenciar a inflação, tais como: “Por enquanto, as expectativas são positivas, pois os agentes acreditam que o Banco Central está comprometido com a meta de inflação. Mas há desafios, como o cenário político e as condições climáticas”, afirma Braz. Os especialistas também reforçam que é preciso atenção ao mercado de trabalho ainda aquecido e ao câmbio, mas indicam que, a depender do clima, há perspectiva de uma possível melhora nos preços administrados e na inflação de alimentos. “A curva do petróleo indica espaço confortável para reajustes no próximo ano. Além disso, IGP-M e IPCA mais baixos podem ajudar a mitigar um eventual aumento na conta de energia”, diz Romão, que reforça perspectivas de boas safras e algum alívio nos preços do café. Dinheiro, real, notas de R$ 50, contagem de cédulas — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil De segunda a sábado, as notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail. 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Fonte: Agências

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