Segundo ele, zerar impostos de importação de itens como carne, café, massas e açúcar pode reduzir a inflação de alimentos. "Vai ajudar um pouco, mas não resolve o problema", pondera.
Francisco Pessoa Faria, pesquisador associado do FGV Ibre, observa que, no caso de produtos como o café e o açúcar, o Brasil já é um dos principais exportadores do mundo, junto com Vietnã e Índia. “Eu não sei de quem a gente vai importar. Não vejo como isso vai poder baixar o preço, inclusive porque esses preços são mais ou menos regulados internacionalmente. Então, me parece inócuo”, afirma.
Outros itens que terão tarifa de importação zerada, como óleo de girassol e sardinha, têm peso pequeno na inflação dos alimentos, segundo Braz. Já a inclusão do azeite na lista chama a atenção, diz ele, porque é um item mais de "luxo".
Além disso, “sem comprometimento fiscal, uma parte de tais benefícios pode ser cancelada por desvalorizações cambiais", diz Braz.
Outras medidas anunciadas sem muitos detalhes, como a inclusão de estímulos para a cesta básica e alimentos no Plano Safra, são válidas, mas não devem ter efeito no curto prazo, segundo Braz. O mesmo vale para a proposta de fortalecer estoques reguladores, aponta. "Ambos são bem-vindos, mas já deveríamos ter feito isso", afirma.
Faria também considera, em um primeiro olhar, as ideias para o Plano Safra e os estoques boas. “O problema é que o negócio não vai resolver neste ano, não vai resolver agora. Não é isso que vai resolver o problema”, afirma.