O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que o novo empréstimo consignado para o setor privado é uma medida estrutural e não tem a ver com a conjuntura. “O projeto foi desenvolvido há mais de um ano”, disse. “Às vezes, o que superendividou a pessoa não foi a dívida, mas o juro", disse.
Ao participar do evento Rumos 2025, do Valor, o ministro lembrou que o máximo de 100% de juro do crédito do rotativo do cartão de crédito “já é uma aberração”. Nesse sentido, de acordo com o ministro, as medidas que têm sido tomadas pelo governo têm como ponto base “evitar o superendividamento”. Questionado sobre o novo projeto ir contra o combate às pressões inflacionárias promovido pelo Banco Central, Haddad disse que a autoridade monetária tem de fazer o trabalho dela, "mas nós temos que fazer o nosso e criar condições macro e microeconômicas mais saudáveis para o Brasil".
No fim de semana, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o novo empréstimo consignado do setor privado, que entrou em vigor na sexta-feira, já teve mais de 40 milhões de simulações de crédito. Do total de simulações, cerca de 4,5 milhões se tornaram propostas efetivamente solicitadas e pouco mais de 11 mil contratos já foram firmados.
No painel, Haddad disse não acreditar em uma solução para os problemas econômicos do Brasil que não passe por um aumento da produtividade e do crescimento. “Estamos vindo de um descontrole das contas públicas e vinha faltando uma agenda micro para aumentar a produtividade. E, sem essa agenda micro acompanhada da macroeconômica, as receitas ortodoxas não vão consertar a economia brasileira”, afirmou Haddad, para quem é importante que o crescimento seja “sustentável” para “acomodar pressões”.
Source link