O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira (17) que também está preocupado com a trajetória da dívida pública, mas voltou a dizer que o mercado financeiro tem errado em suas estimativas. Segundo o ministro, em entrevista à CNN, cabe à Fazenda "trabalhar o fiscal estruturalmente" para tentar controlar a trajetória da dívida. "Não há muita coisa o que fazer", respondeu o ministro.
"Temos que continuar as condições para que os juros não fiquem nesse patamar por um longo tempo", disse Haddad, que também reconheceu que o patamar atual da Selic pode ficar mais alto por um período maior para "combater um nível de preço para um dólar novo". Isso traria impactos à dívida pública, já que mais da metade da dívida brasileira é atrelada à Selic.
"Também pode haver uma política fiscal e monetária nos EUA que mantenha o nível de juros nos EUA muito alto. Ninguém previa o que ia acontecer", comentou Haddad em referência aos impactos do cenário americano, a partir de segunda-feira sob o comando do republicano Donald Trump, na economia brasileira e global.
Diante disso, falou Haddad, "precisamos voltar à mesa, à planilha". "É uma realidade nova. Precisamos observar e pensar bem no que fazer, um ajuste que penalize menos possível ou não penalize quem precisa dos serviços públicos", comentou o ministro.