Senadores governistas e ministro avaliam que o provável retorno de Davi Alcolumbre (União-AP) ao Comando do Senado muda pouco a relação do Executivo com a Casa em comparação com o atual presidente, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A eleição será neste sábado (1), às 10 horas.
Às vésperas do pleito, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), pontuou que Alcolumbre e Pacheco são do mesmo campo político e, embora tenham formas diferentes de atuação, ajudaram o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Ele [Alcolumbre] e Rodrigo, e ele que é muito mais operador de campo, é mais a praia dele, ajudaram a aprovar a PEC da transição. Ele ajudou antes de sentar no governo”, afirmou.
Wagner reconhece, no entanto, que dessa vez o presidente da Casa conta com o apoio da oposição e precisará se equilibrar, diferente do último biênio. Como movimentos a esse grupo, os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Damares Alves (Republicanos-PR).
“Ele é um magistrado e tem que saber que tem um outro lado. Como a base não mais como antigamente que era uma base mais perfilada, hoje está muito cada um por si”, declarou.
O parlamentar disse ainda que a coesão da base de Lula no Congresso vai depender da pauta e da perspectiva de êxito que o Executivo passar ao Congresso.
“Todo senador e todo deputado quer estar ao lado de um projeto que tende a ser exitoso. Se a economia vai bem, encosta Deus e o mundo. Se for o contrário, se afastam”, pontuou Wagner.
O líder do governo no Senado ainda descartou que senador do PL que vai ocupar a 1ª vice-presidência do Senado, Eduardo Gomes (TO), pode causar problemas para o governo. Ele afirmou que Gomes é uma pessoa “do diálogo” e “bem racional”.
Próximo a Alcolumbre, o novo líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE) defende que o presidente Lula mantenha uma linha direta de diálogo com o futuro presidente do Senado. Na opinião do senador do PT, o sucessor de Pacheco e Lula têm um jeito parecido de fazer política.
Nessa mesma linha, um líder de um partido da base do governo também minimiza possíveis dificuldades na relação de Lula com Alcolumbre. Para ele, especialmente pautas mais pragmáticas do vindas do Planalto - como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil aliada ao aumento da tributação para quem recebe mais de R$ 50 mil – devem ser aprovadas.
Essa mesma liderança reconhece, entretanto, que o bloqueio de emendas parlamentares pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, deve ser um “problemão” no Senado este ano.
Independente dos comandos das comissões, o ministro Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais) - que está licenciado do cargo para votar em Hugo Motta (Republicanos-PR) como deputado federal – disse que o governo deve apresentar ao Congresso uma pauta prioritária na segunda semana de fevereiro.
Um possível entrave para o governo, o senador Angelo Coronel (PSD-BA), que é o relator do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2025, ameaçou não votar o orçamento caso não haja um acordo para a liberação das emendas parlamentares. Padilha disse, no entanto, que “a expectativa [para a votação do orçamento] é muito positiva”. “O Congresso sabe a importância da aprovação do orçamento, inclusive para empenhar e para executar as emendas e recursos”, afirmou o ministro licenciado.
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