Carlos Tavares, executivo-chefe da Stellantis, renunciou após uma acentuada queda no desempenho financeiro da quarta maior montadora do mundo, marcando uma saída abrupta para um dos líderes mais proeminentes da indústria automotiva.
Em um comunicado neste domingo, a Stellantis, que possui as marcas Peugeot, Fiat e Jeep, informou que o conselho da empresa aceitou a demissão de Tavares, sem esclarecer o motivo de sua saída.
Em setembro, a Stellantis havia iniciado a busca por um sucessor para Tavares, mas se esperava que ele cumprisse seu mandato como CEO até o início de 2026.
Tavares ingressou na PSA, proprietária da Peugeot, em 2014, salvou a empresa da insolvência iminente e ajudou a formar a Stellantis ao comprar a Opel, da Alemanha, da General Motors em 2017. Uma fusão de 50 bilhões de euros com a Fiat-Chrysler ocorreu em 2021.
John Elkann, presidente da Stellantis, disse: "Nossos agradecimentos vão para Carlos por seus anos de serviço dedicado e pelo papel que desempenhou na criação da Stellantis".
A empresa afirmou que o processo para nomear um novo executivo-chefe será concluído até o primeiro semestre de 2025. Até lá, um novo comitê executivo interino liderado por Elkann será formado.
Fontes próximas à saída de Tavares relataram que havia tensões crescentes entre ele e outros membros do conselho da Stellantis sobre como colocar a empresa de volta nos trilhos após uma queda acentuada nos lucros noticiados em 2024 devido à queda nas vendas nos EUA e na Europa.
"Ele estava focando no curto prazo em vez do longo prazo do grupo e conseguiu irritar todos no processo", disse uma fonte familiarizada com as conversas entre os membros do conselho.
Outra pessoa com conhecimento das deliberações acrescentou: "Havia uma sensação de que Carlos estava se movendo rápido demais para recuperar sua reputação, arriscando criar problemas no futuro". A queda nos lucros da Stellantis este ano representou uma reviravolta drástica para a empresa, que havia construído um forte balanço patrimonial por meio de cortes de custos abrangentes.
Outra fonte disse que a situação dentro da Stellantis e com os investidores da empresa, incluindo fornecedores e concessionárias nos EUA, havia se tornado tensa. Trabalhadores insatisfeitos nas fábricas na Itália e nos EUA ameaçaram greves após cortes na produção. Tavares não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A Stellantis confirmou no domingo suas orientações financeiras para 2024, incluindo sua meta para uma margem de lucro operacional ajustada de 5,5% a 7%. Em julho, Tavares havia minimizado preocupações sobre o desempenho da Stellantis, descrevendo a queda nas vendas como um "obstáculo no caminho", enquanto prometia "resolver" os problemas.
Em outubro, ele supervisionou uma reestruturação na gestão das marcas da empresa, incluindo Jeep, Maserati e Alfa Romeo. As mudanças foram interpretadas pelos analistas como um sinal de que Tavares não planejava renunciar antes do final de seu mandato. Naquela época, ele também teve conflitos com o governo italiano sobre subsídios para veículos elétricos, ao ameaçar mover alguns empregos da Stellantis em suas fábricas italianas para o exterior.
Tavares foi questionado por autoridades italianas irritadas, e sua resposta, culpando o ambiente regulatório rigoroso, foi considerada como falta de "humildade", disse uma fonte. A saída de Tavares ocorre poucos dias após a Stellantis anunciar que suspenderia a produção do Fiat 500 EV e dois modelos Maserati em sua histórica fábrica Mirafiori em Turim durante dezembro devido à fraca demanda. Na semana passada, a Stellantis culpou as regras de vendas de veículos elétricos do Reino Unido ao anunciar planos para fechar sua fábrica de vans em Luton, colocando cerca de 1.100 empregos em risco.
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