O novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, cancelou repentinamente um subsídio de combustível que mantinha as tarifas de ônibus artificialmente baixas. A medida, anunciada em um pronunciamento nacional, causou um aumento dramático nos preços das passagens, resultando em confusão entre os cidadãos sobre os novos valores. A decisão de Paz, que assumiu o cargo em novembro, marca uma mudança significativa em um país que viveu a era do combustível barato por décadas.
Adrian Coria, um jovem empresário de 19 anos que vende roupas pelo TikTok, foi um dos afetados pela mudança. Ele relatou ter que se deslocar de bicicleta para atender seus clientes devido ao aumento das tarifas. O governo argumenta que o fim do subsídio pode gerar uma economia de US$ 3,5 bilhões no próximo ano e evitar o colapso das reservas do país, mas o impacto sobre a população de uma das nações mais pobres da América Latina é preocupante.
José Gabriel Espinoza, ministro da Fazenda, defendeu a medida, afirmando que os custos políticos não estão sendo levados em conta. A decisão é a mais radical de Paz até o momento, visando enfrentar um déficit fiscal alarmante que pode ultrapassar 10% do PIB neste ano. Especialistas, como Napoleon Pacheco, professor de Economia, preveem um aumento na inflação e reconhecem a dificuldade da situação para os cidadãos.
Após o anúncio, a população reagiu com pânico. Motoristas correram para os postos de gasolina em busca de combustível a preços antigos, enquanto muitos se dirigiram aos supermercados para estocar itens essenciais. Em La Paz, filas se formaram em lojas, que rapidamente esvaziaram suas prateleiras. Motoristas de táxi bloquearam ruas, evidenciando a insatisfação popular com a decisão de Paz.
Embora alguns cidadãos vejam a mudança como um necessário ajuste à realidade, outros expressam descontentamento, com motoristas de ônibus elevando os preços das passagens em até 100%. Protestos foram organizados, e motoristas ameaçaram greves. No entanto, o governo conseguiu um acordo com os motoristas para suspender os protestos planejados e discutir ajustes tarifários.
A questão do subsídio de combustível se torna ainda mais complexa em meio a um cenário inflacionário, com taxas que atingiram quase 25% em julho, o maior índice em mais de 30 anos. A pressão sobre a administração de Paz é intensa, especialmente considerando que a decisão se alinha a movimentos semelhantes em outros países da América Latina, onde líderes tentam implementar reformas fiscais em meio a crises econômicas.