Em meio às ameaças de elevação das tarifas de importação feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) se manifestou sobre o tema, defendendo que o Brasil deve aproveitar o momento para reduzir tarifas de importação e evitar que a onda de protecionismo global chegue ao país. Para a entidade, a abertura seria o caminho ideal para reduzir o Custo Brasil.
“Aumentaria a produtividade e a competitividade. Isso pode beneficiar consumidores e o setor produtivo na geração de renda e emprego ao permitir acesso a recursos mais baratos e com maior conteúdo tecnológico, propiciar ganhos de escala e atingir um crescimento econômico sustentável em longo prazo”, afirma, em comunicado, nesta segunda-feira (3).
Na visão da FecomercioSP, uma maior abertura comercial do Brasil, mesmo neste momento de escalada do protecionismo globalmente, contribuiria para reduzir as pressões inflacionárias e aumentar a inserção do Brasil na economia internacional.
“O momento atual é muito conveniente para adotar ações dessa magnitude, considerando a desvalorização cambial, o resultado do superávit da balança comercial no ano passado (o segundo maior da história) e a maior facilidade para a indústria — que apresenta níveis elevados de utilização da capacidade instalada — importar peças, componentes e insumos para aumentar a produção”, comenta a entidade.
Para a FecomercioSP, o protecionismo do Brasil, além de colocar o país como um possível alvo do presidente americano, é uma das causas da baixa produtividade e da inserção baixa nas cadeias produtivas globais.
“A consequência interna dessa limitada abertura comercial é menos eficiência econômica, porque, sem a pressão da competição internacional, muitas indústrias brasileiras permanecem menos efetivas e inovadoras do que poderiam ser. Além disso, os consumidores brasileiros acabam pagando preços mais altos por produtos que, em uma economia mais aberta, poderiam ser importados a custos inferiores. É preciso mudar esse cenário”, diz a nota da entidade.
Como propostas, a entidade sugere que o brasil intensifique as negociações para formar novos acordos de livre-comércio ou expandir os já existentes, como o Mercosul. Também propõe a redução das tarifas de importação para bens de capital e bens de informática e telecomunicação até convergirem para a média mundial de 4%.
Recomenda ainda a retomada das negociações e da oferta brasileira de adesão ao Acordo de Compras Governamentais da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a extinção do adicional de frete para a renovação da marinha mercante (AFRMM), que, na visão da entidade, não atende mais ao seu objetivo inicial e encarece a entrada de produtos no mercado nacional.
Por último, a FecomercioSP sugere acelerar a privatização dos portos para melhorar a infraestrutura e, na visão da entidade, proporcionar um ambiente regulatório seguro e atrativo para investimentos.
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