A concessionária Enel, responsável pelo fornecimento de energia elétrica na cidade de São Paulo, foi tema principal do primeiro bloco do debate organizado pela Band na noite desta segunda-feira (14) entre o prefeito e candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado federal Guilherme Boulos (Psol). Eles ainda trocaram acusações sobre as responsabilidades do apagão que afetou milhares de paulistanos desde a sexta-feira e ainda não foi totalmente solucionado.
O debate inicial entre os dois se restringiu aos reflexos da chuva e a zeladoria na cidade. Boulos focou na falta de estrutura da prefeitura para socorrer os moradores atingidos por árvores e citou a fila para podar na cidade, mais de 7 mil pessoas, o que segundo ele leva um ano para terminar.
“Temos 6 mil podas pendentes, mas para a Enel fazer, que são árvores encostadas na fiação elétrica e o servidor da prefeitura, por segurança, não pode ir lá remover”, disse o prefeito, que disse ainda ter dobrado o número de pessoas responsáveis pelas podas, sendo atualmente mais de 4 mil pessoas.
Nunes, por sua vez, insistiu na responsabilidade do governo federal, citando uma cláusula do contrato da Enel que dá o poder de eventual rescisão ao governo federal.
“Ricardo Nunes não fez o básico, poda de árvores, manejo arbóreo, nada. Estava avisado, tivemos um apagão em novembro passado e nada foi feito. Prometo não trabalhar só na véspera da eleição, como o prefeito fez”, declarou Boulos.
O prefeito respondeu, dizendo que a lei que gere as concessões de energia elétrica prevê atuação exclusiva do governo federal.
“Por isso que entrei com três ações e pedi a extinção desse contrato, e isso só quem pode fazer é o governo federal”, declarou.
A Enel herdou o contrato da antiga Eletropaulo, iniciado em 1998, e só termina em 2028. O Executivo municipal não tem atribuição direta na fiscalização ou eventual rescisão, restrita à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
No primeiro bloco do debate, quando houve um confronto direta com tema lima entre os postulantes à prefeitura, surgiu ainda o tema corrupção, com Boulos indagando o prefeito sobre a investigação da Polícia Federal que suspeita de lavagem de dinheiro de Nunes por meio de uma empresa familiar. O prefeito negou irregularidades, acusando Boulos de não saber o que é “trabalhar”.