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Exportações de carne brasileira para a Argentina disparam no ano

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 02/12/2025 às 02:00 · Atualizado há 1 dia
Exportações de carne brasileira para a Argentina disparam no ano
Foto: Reprodução / Arquivo

Imagem de músculos bovina tirada em La Reja, Argentina.
José Ignacio Pompé/Unplash
As exportações de músculos bovina do Brasil para a Argentina dispararam neste ano, segundo dados do Ministério da Cultivação.
De janeiro a outubro, foram vendidas 11 milénio toneladas para o país vizinho, volume mais de 20 vezes maior do que as 526 toneladas embarcadas em igual período do ano pretérito.
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A Argentina não figura entre os principais compradores do Brasil: mesmo com todo o incremento, a importação pelo país vizinho representa menos de 1% de todo o volume adquirido pela China, maior cliente da músculos brasileira, por exemplo.
Mesmo assim, a disparada das vendas chamou a atenção de especialistas ouvidos pelo g1. Eles viram dois motivos para isso: o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil e a queda na produção de músculos na Argentina, que vai perdurar. Veja os detalhes inferior.
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Efeito tarifaço
Segundo analistas, o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil a partir de abril estimulou os argentinos a venderem mais músculos para os americanos.
A Argentina é a quinta maior produtora do mundo, detrás de EUA, Brasil, China, Índia.
Com mais exportação para os EUA, os argentinos recorreram à músculos brasileira para não desfalcar o provisão interno. Enfim, o país vizinho tem o maior consumo de músculos bovina por pessoa no mundo.
O gráfico inferior ilustra esse movimento: o pico na compra de músculos brasileira pelos argentinos aconteceu em setembro, um mês depois de Trump aumentar para 50% a sobretaxa para o Brasil, que só foi retirada neste mês de novembro.

A
Tarifaço continua para moca solúvel, uva, mel e pescados
Queda na produção lugar
Mas não foram só as tarifas que levaram à disparada das compras pela Argentina.
Elas começaram a compreender patamares altos ainda em fevereiro, dois meses antes de os EUA anunciarem a primeira taxa que atingiu o Brasil, de 10%.
Segundo o consultor do Safras & Mercados Fernando Henrique Iglesias, o aumento nas compras aconteceu porque a produção argentina diminuiu por culpa de secas e de medidas econômicas do governo anterior, que limitaram as exportações do país.
A produção de músculos vem caindo nos últimos dois anos na Argentina, segundo o Departamento de Cultivação dos EUA (USDA).
A previsão para 2025 é de uma queda de 100 milénio toneladas em relação a 2024, o mesmo volume que o país deixou de produzir no ano pretérito.
"No início desta dez, os efeitos do La Niña acabaram afetando a taxa de prenhez das vacas na Argentina. O dispêndio para produzir ficou muito cocuruto e isso acabou gerando um encolhimento de rebanho", diz Iglesias.
De 2023 a 2025, a quantidade de bovinos na Argentina caiu de 68,8 milhões para 67 milhões, mostra o USDA.
Aliás, medidas econômicas do ex-presidente prateado Alberto Fernandéz, que governou entre 2019 e 2023, influenciaram pecuaristas a diminuírem a produção, diz Iglesias.
Quatro dias depois de assumir o governo, Fernandéz implementou taxas de exportação a diversos produtos agropecuários, inclusive uma de 9% à músculos bovina. Mais tarde, em maio de 2021, ele suspendeu as exportações de músculos por 30 dias.
Incitação às exportações
Por outro lado, o atual governo liberal de Javier Milei foi na contramão do predecessor. Ele não somente reduziu a taxa para exportação da músculos bovina, porquê a zerou entre 22 de setembro e 31 de outubro deste ano.
Segundo Thiago Bernardino de Roble, responsável pela dimensão de pecuária no Cepea/USP, essas medidas estimularam o aumento das exportações.
"Com a Argentina podendo exportar mais, sobra menos músculos no mercado doméstico, o preço sobe e ela vem para mercados porquê o brasiliano para comprar mais músculos", diz Roble.
Mas, dados da Câmara da Indústria e Negócio de Carnes e Derivados (Ciccra) mostram que as exportações de músculos da Argentina caíram 10,5%, em volume entre janeiro e outubro, em relação a igual período de 2024, puxadas por uma subtracção das compras da China.
Por outro lado, nesse mesmo período, as vendas argentinas para os EUA aumentaram 7,5%, enquanto o Brasil viu o seu transacção com os americanos despencarem com o tarifaço.
Segundo Lygia Pimentel, CEO da consultoria Agrifatto, foi justamente a retirada parcial da músculos brasileira do mercado americano que abriu espaço para os argentinos nos EUA.
"Países porquê Paraguai, Argentina e Austrália, que são grandes produtores e exportadores de músculos bovina, têm comprado muita músculos do Brasil. Eles pegam a sua própria músculos e enviam para os Estados Unidos, e pegam a do Brasil para abastecer o seu mercado interno", disse Pimentel, antes dos EUA retirarem as sobretaxas de 10% e de 40% sobre a músculos vernáculo, em novembro.
Ela reforça que, dessa forma, o mercado não estava cometendo a prática ilícito da triangulação, que seria, por exemplo, a de comprar a músculos do Brasil e enviá-la para um país intermediário para, de lá, exportar para os EUA.
Roble, do Cepea, diz que, além de ser um país vizinho da Argentina, o Brasil tem a músculos mais barata do mercado internacional, outro fator que explica a opção dos argentinos de complementar o seu provisão com o resultado brasiliano.
Segundo dados da Agrifatto, enquanto o preço do boi no Brasil está custando, em média, US$ 61, na Argentina, ele chega a US$ 74,8. Já no Uruguai, a cotação alcança US$ 75,7 e, no Paraguai, US$ 64,5.
A compra de músculos brasileira pelos argentinos recuou em outubro, na conferência com o pico do mês anterior, mas ainda seguia em um patamar supra de 1 ano detrás (os números de novembro ainda não tinham sido divulgados até a desenlace desta reportagem).
Segundo Iglesias, a tendência é que o Brasil continue aumentando as vendas para a Argentina.
"Uma vez que a produção argentina deve permanecer deprimida em 2026, isso deve incentivar mais as importações", diz Iglesias.
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