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Ex-funcionário afirma que falha em avião da Voepass foi omitida horas antes de acidente em Vinhedo | Brasil

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 02/08/2025 às 16:37 · Atualizado há 5 horas
Ex-funcionário afirma que falha em avião da Voepass foi omitida horas antes de acidente em Vinhedo | Brasil
Foto: Reprodução / Arquivo

Uma testemunha afirmou que uma falha identificada no avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), no ano passado, foi omitida do diário de bordo técnico (TLB). O relato feito ao portal g1 é de um ex-funcionário que presenciou a última manutenção da aeronave antes do acidente que causou a morte de 62 pessoas.

Segundo a reportagem, a testemunha atuava no setor da manutenção. Ele ouviu o piloto que usou o avião antes da queda relatar problemas com o sistema de degelo (responsável por evitar formação de gelo nas asas). A falha, se constasse no diário de bordo, impediria a decolagem no dia seguinte. Mas a liderança do hangar não tomou conhecimento da informação.

"Essa aeronave nunca tinha apresentado esse tipo de falha, né? Só que no dia do acidente, quando essa aeronave chegou de Guarulhos para Ribeirão, ela foi reportada verbalmente pelo comandante que trouxe ela. Foi alegado que ela tinha apresentado o airframe [fault] (alerta emitido quando há problema no degelo) durante o voo. E ela estava desarmando sozinha. Ele acionava [o sistema] e ela desarmava. Coisa que não poderia acontecer", afirmou a testemunha ao portal g1.

O avião decolou de Cascavel (PR) às 11h54 de 8 de agosto de 2024 com destino a Guarulhos (SP). Pouco mais de uma hora após a decolagem o piloto deixou de responder as chamadas da torre de São Paulo. A aeronave caiu sobre a área externa de uma casa em Vinhedo. Todos os ocupantes do avião, 58 passageiros e 4 tripulantes, morreram. Os moradores do imóvel não se feriram.

O funcionamento pleno do sistema de degelo é condição obrigatória quando há previsão de formação de gelo, o que era o caso do trajeto no dia do acidente. Informações da investigação indicam que o botão do sistema de degelo foi acionado três vezes durante o voo, mas não funcionou. A falha relatada pela testemunha já é de conhecimento da Polícia Federal, que também investiga o acidente.

Ainda de acordo com a reportagem, o ex-funcionário afirmou que havia pressão por parte da direção da empresa para aeronaves não ficarem paradas por muito tempo e que não havia tempo suficiente para fazer a devida manutenção. Segundo ele, o responsável pelo turno foi alertado verbalmente sobre a falha no sistema.

"Era a própria diretoria que exigia isso, queria o avião voando. Então assim, eles nem pesquisaram [o problema no sistema de degelo]. (...) O próprio líder questionou: 'bom, se ele [piloto] não reportou em livro, não tem pane na aeronave'. Esse era o legado da empresa: se o comandante reporta, tem ação de manutenção; se não reportou, eles não vão perder tempo com nada que ele falar", afirmou o ex-funcionário.

A Voepass, por meio de nota, afirmou que segurança sempre foi prioridade e que atuou cumprindo as exigências técnicas. A empresa disse também atuar de forma transparente junto às autoridades. A Voepass não se manifestou sobre as declarações do ex-funcionário. "Em 30 anos de atuação, em um setor altamente regulado, a segurança dos passageiros e da tripulação sempre foi a prioridade máxima da companhia", diz um trecho do comunicado.

Em março de 2025, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu os voos da companhia aérea por falta de segurança nas operações. Em junho, foi cassado o certificado de operador aéreo da Passaredo, principal empresa do grupo Voepass.

Destroços do avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP) — Foto: AP Photo/Andre Penne

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