O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou, nesta quarta-feira (12), que o governo de Donald Trump não vê como realista a adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), como parte de um acordo de paz para a guerra contra a Rússia.
“Perseguir esse objetivo ilusório apenas prolongará a guerra e causará mais sofrimento”, disse Hegseth, sobre as ambições da Ucrânia de ingressar na aliança, durante uma reunião dos aliados militares de Kiev, na sede da Otan, em Bruxelas.
Durante o encontro, o secretário também declarou que tropas americanas não serão enviadas à Ucrânia como parte de garantias de segurança, e que não é viável restaurar as fronteiras do país aos limites anteriores a 2014, antes da invasão russa da Crimeia.
“Nós queremos, assim como vocês, uma Ucrânia soberana e próspera. Mas devemos começar reconhecendo que restaurar as fronteiras da Ucrânia anteriores a 2014 é um objetivo irrealista”, disse Hegseth, ao grupo de autoridades ucranianas e mais de 40 aliados.
Os comentários sobre a Ucrânia representam uma mudança significativa em relação à posição do governo de Joe Biden e de muitos dos aliados mais próximos de Kiev, que haviam prometido apoiar a Ucrânia pelo tempo que fosse necessário e enfatizaram a importância da integridade territorial do país.
As declarações de Hegseth também sugerem que Kiev terá de abandonar alguns de seus principais objetivos de guerra — recuperar territórios ocupados pela Rússia e garantir proteção contra futuros ataques por meio da adesão à Otan, liderada pelos EUA.
Hegseth também participará, na quinta-feira (13), de uma reunião completa dos ministros da Defesa da aliança da Otan. Mais cedo, nessa quarta-feira (12), ele se encontrou com seu homólogo ucraniano, Rustem Umerov.