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Entenda o caso do Banco Master e a intricada relação de Vorcaro com o poder

A investigação sobre o Banco Master tem envolvido diversas figuras e órgãos públicos. Para além de Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público Federa...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/01/2026 às 11:46 · Atualizado há 2 semanas
Entenda o caso do Banco Master e a intricada relação de Vorcaro com o poder
Foto: Reprodução / Arquivo

A investigação sobre o Banco Master tem envolvido diversas figuras e órgãos públicos. Para além de Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público Federal, que investigam a instituição e seu dono, Daniel Vorcaro, por supostas fraudes ao sistema financeiro, o caso se alastrou ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo ministros, autoridades do governo Lula e até influencers.

Antes de ser preso, Vorcaro cultivou diversas conexões com figuras importantes. Ele se aproximou do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, e de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Além disso, o banco contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes (STF) no valor de R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição financeira.

O Master chegou a contratar como consultores Ricardo Lewandowski, entre o intervalo de sua aposentadoria no STF e o comando do Ministério da Justiça, Gustavo Loyola e Henrique Meirelles, ex-presidentes do Banco Central, e Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, que marcou encontro de Vorcaro com o presidente Lula (PT).

Vorcaro também se aproximou de empresários que têm trânsito e influência no meio político, como João Camargo, do grupo Esfera Brasil, João Doria, do Lide, e Karim Miskulin, do grupo Voto. Nos últimos três anos, alguns dos eventos realizados por esses grupos, reunindo empresários e políticos, receberam financiamento do Master.

Mais recentemente, o banco contou com o ex-presidente Michel Temer (MDB) para tentar destravar o negócio com o Banco de Brasília (BRB), barrado pelo Banco Central. Temer foi procurado inicialmente pelo seu correligionário, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e por dirigentes da instituição brasiliense.

Vorcaro, controlador do Master, comprou uma participação no Banco Máxima, em 2017. Ele assumiu o controle da instituição financeira em 2019 e a rebatizou como Master em 2021.

Antes de ingressar no Master, Vorcaro trabalhou por oito anos na empresa de seu pai, o Grupo Multipar, como diretor financeiro e presidente. A companhia do setor imobiliário sediada em Belo Horizonte atua na gestão, aquisição e venda de ativos imobiliários e empresariais.

Vorcaro fez com que o Master crescesse nos últimos anos usando estratégia considerada agressiva de venda de CDBs com alta remuneração a aplicadores. Em agosto deste ano, o banco vendia CDBs com retorno de 120% do CDI -remuneração bem acima das taxas de mercado.

Pressionado, o Master aceitou uma proposta de compra pelo BRB em março deste ano. Em setembro, contudo, a compra foi rejeitada pelo Banco Central, que disse ter levado em conta o risco de sucessão para vetar o negócio.

O banqueiro atraiu a atenção do mercado financeiro após comprar 80% do projeto Fasano Itaim, que reúne hotel, torre residencial e restaurantes, no fim de 2022. Em 2024, voltou a surpreender o setor com a aquisição do Banco Voiter e do Will Bank.

Seu nome costumava repercutir no noticiário pela realização de eventos luxuosos, que incluem conferências com ministros do STF no exterior e a festa de 15 anos da filha com show do DJ Alok.

Além dos negócios do banco, Vorcaro investiu R$ 300 milhões na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG, o que lhe rendeu 27% de participação.

A operação da Polícia Federal que prendeu Vorcaro e mirou o Master envolve uma fraude estimada em R$ 12 bilhões, afirmou o diretor-geral da instituição, Andrei Passos. A operação tem o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

A suspeita dos investigadores é de que o Master tenha usado o negócio com o BRB para esconder a fabricação de carteiras falsas de crédito consignado. Isso inflou o balanço do Master, ainda de acordo com as investigações.

As carteiras de consignado, formadas com tomadores de crédito inexistentes, teriam sido vendidas ao banco de Vorcaro e, por fim, compradas pelo BRB.

Investigadores ainda querem apurar se houve pressão de políticos para que a negociação entre BRB e Banco Master se concretizasse.

A proposta de compra do Master pela Fictor Holding Financeira, divulgada antes de Vorcaro ser preso, também entrou na mira dos investigadores da PF. Segundo eles, há suspeita de que a ação tenha sido uma espécie de simulacro para facilitar a fuga do banqueiro do país.

Outra descoberta dos investigadores é que boa parte dos ativos podres comprados por fundos de investimentos da gestora Reag para sustentar o esquema de operações fraudulentas atribuídas ao Banco Master era composta por certificados de ações do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).

Os gestores dos fundos compravam esses títulos, que têm valor baixo, como se valessem milhões para inflar esses fundos, justificando retiradas para investimentos em outros fundos também da Reag. A suspeita é que esses recursos que passaram pelos fundos tenham sido desviados para "laranjas" ligados ao dono do Master.

Horas depois de Vorcaro ser preso e de a proposta da Fictor se tornar pública, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Na prática, a liquidação é adotada quando o BC avalia que a situação da instituição financeira é irrecuperável. Neste caso, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é retirada do Sistema Financeiro Nacional.

pela grave crise de liquidez do conglomerado Master

— O BC afirmou em comunicado que a decisão foi motivada e por "graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN".

Na véspera, a Fictor Holding Financeira, pouco conhecida no mercado, havia anunciado uma proposta de compra, em consórcio com investidores dos Emirados Árabes, que não tiveram a identidade revelada.

A proposta incluiria um aporte de R$ 3 bilhões, quantia que, segundo a Fictor, seria destinada ao fortalecimento da estrutura de capital do banco.

Segundo pessoas a par das tratativas, havia desconfiança com relação às negociações entre Vorcaro e os árabes, e o anúncio foi interpretado como uma estratégia do banqueiro para evitar a liquidação do banco.

A liquidação do Banco Master pelo BC representará a maior operação de resgate da história do FGC, que precisará honrar R$ 41 bilhões para cerca de 1,6 milhão de credores com depósitos e investimentos elegíveis ao pagamento da garantia (de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ).

Até então, o maior desembolso foi o do Bamerindus, em 1997, de cerca de R$ 20 bilhões em valores atuais. A avaliação é que o caso não traz risco para o sistema financeiro, uma vez que o FGC tem R$ 122 bilhões em caixa.

O ministro Jhonatan de Jesus (TCU) é relator na apuração da conduta do BC na liquidação do Master. Ele havia requisitado uma inspeção in loco, mas voltou atrás após pressão.

Ele foi instado a se manifestar publicamente afastando o risco de reversão da liquidação. A avaliação de seus pares é que a sua decisão de determinar uma inspeção in loco no BC em meio a uma investigação que questiona a conduta do banco no caso Master acabou colocando todo o TCU em exposição política.

Pelo menos 46 perfis em redes sociais fizeram um bombardeio digital com ataques simultâneos contra o Banco Central e investigadores no caso Master.

A prática já vinha sendo observada durante o processo de análise pelo órgão regulador da venda do banco para o BRB, mas se intensificou em meio à guerra jurídica no STF e no TCU travada entre os investigadores e os advogados do Master.

Os influenciadores vêm publicando posts com informações enviesadas sobre os acontecimentos em torno da liquidação do Master, com críticas à atuação do BC e à liquidação do Master.

Procurados por meio de sua assessoria, o Banco Master e Vorcaro não se manifestaram.

Imbróglio se alastrou ao TCU e ao STF, envolvendo ministros, autoridades do governo Lula e até influencers

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