Os quatro principais candidatos ao cargo de primeiro-ministro da Alemanha realizaram, na noite de domingo (17), um acalorado debate eleitoral, em que a extrema direita ficou na berlinda. A candidata do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, foi o principal alvo dos ataques do atual premiê Olaf Scholz, do Partido Social-Democrata (SPD), do candidato do Partido Verde, Robert Habeck, e do líder da União Democrata Cristã (CDU), Friedrich Merz.
Durante um programa de duas horas em horário nobre, os políticos confrontaram a política de extrema direita sobre temas como a guerra na Ucrânia e a associação de seu partido com a ideologia nazista, faltando menos de uma semana para as eleições gerais, no próximo domingo (23).
Weidel se vangloriou do apoio que recebeu do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, que a encontrou nos bastidores da Conferência de Segurança de Munique, no fim de semana. A política, de 46 anos, elogiou o discurso de Vance aos participantes da conferência, no qual incentivou os políticos tradicionais da Europa a dialogar com partidos de extrema direita e anti-establishment.
“Vance admitiu que não se pode construir barreiras para excluir milhões de eleitores desde o início. Ele deixou claro que precisamos conversar uns com os outros”, afirmou Weidel. A candidata, cujo partido deve alcançar um recorde de 20% dos votos, tem capitalizado o apoio dos EUA desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
O apoio mais recente de Vance, que ignorou Scholz em Munique, provocou indignação entre os partidos tradicionais da Alemanha, que se recusam a formar coalizões com a AfD. Esse descontentamento ficou evidente várias vezes durante o debate de domingo.
Merz, cujo partido CDU deve vencer as eleições com cerca de 30% dos votos, acusou Weidel de manter extremistas dentro da AfD, como Björn Höcke, que no outono passado venceu as eleições regionais no estado da Turíngia e “que qualquer homem e mulher na Alemanha pode chamar de nazista sem medo de represálias”.
“Temos uma boa tradição na Alemanha, que consiste em aprender lições com as experiências do Nacional-Socialismo”, disse Scholz a Weidel. “Não há cooperação com a extrema direita.”
“Considero essa comparação escandalosa”, rebateu a candidata da extrema direita. “Olhem, vocês podem me insultar aqui esta noite o quanto quiserem. Estão insultando milhões de eleitores.”
Os candidatos também discordaram sobre o financiamento de bilhões em gastos extras com defesa e sobre a delicada questão do envio de tropas à Ucrânia, como parte de garantias de segurança no pós-guerra. “O que aconteceu nas últimas semanas e na Conferência de Segurança de Munique não pode ser subestimado, porque o governo Trump está lançando um ataque frontal contra a comunidade ocidental de valores”, disse Habeck.
Com a realização do debate, a Alemanha entra agora na última semana de campanha enfrentando uma economia estagnada, um intenso debate sobre imigração e uma profunda preocupação com o rápido deterioramento das relações transatlânticas sob o novo governo Trump.